21. Passeando por caminhos Celtas – the beautiful Isle of Skye…

14 de agosto de 2014

“Um dia eu elegi a Iha de Skye como um dos paraísos do meu coração. Desde esse dia eu quis lá voltar e sentir de novo, sem pressas, tudo o que me apaixonara. Este ano eu voltei e as emoções foram mais fortes ainda e eu vou querer lá voltar de novo! Há uma paz por ali, que eu apenas pressenti há 3 anos atrás, e que desta vez me preencheu! Deixava a moto na berma da estrada e percorria caminhos, que eram apenas vestígios, no meio dos campos privados, e a falésia era logo ali. Um arrepio de êxtase percorria a minha espinha e eu sentava-me, apenas a contemplar. Quanta beleza pode encerrar um momento de solidão e paz? Toda a beleza do mundo…”

(in “Passeando pela vida” – a página)

E eu estava lá a dormir!

Por isso dar a volta à ilha seria como dar a volta ao jardim do meu hostel!

Na realidade eu passaria todo o dia a explorar caminhos que me tinham deixado curiosa desde a última vez que ali estivera, por isso, chovesse ou fizesse sol, eu iria andar pela ilha até anoitecer!

O dia não estava a coisa mais solarenga, mas não estava a chover o que já era uma grande coisa!

Todos os caminhos são lindos por ali, em cada curva do caminho, um lago, um braço de mar, uma montanha, aparecem para tornar tudo mais irreal e fantástico. E o céu meio encoberto? Apenas acrescenta um toque de mistério e encanto ao quadro!

E o silêncio da manhã? Apenas torna tudo mais irreal ainda…

Uma das coisas que eu aprecio em Skye, e um pouco por toda a Escócia, é a sensação de andar a passear sozinha por um jardim infinito, porque onde houver uma ruínha, um caminho ou um trilho eu posso ir, sem que uma multidão de turistas enlouquecidos perturbe o meu passeio! E isso é fantástico!

Quando cheguei a Portree, embora tivesse feito pouco mais de 25 milhas, tinha já a sensação de ter feito centenas de quilómetros, por tantos caminhos e paisagens cheios de beleza que passara!

O tempo não prometia chuva, apenas havia que esperar que o ceu se abrisse um pouco para que toda a paisagem se iluminasse!

Uma coisa que eu aprendi é que não vale a pena pedir café naquele país, pois é sempre uma experiencia horrível tentar beber uma mistura mal saborosa servida em doses de litro! Por isso eu pedia sempre chá…

Parei no cafezinho central onde já me habituei a ficar um pouco. Também não há muita escolha por ali. Portree é a principal e maior cidade da ilha, onde vive mais de um terço de toda a população de Skye, por isso não há muito por onde escolher para se parar e tomar algo quente!

O porto da cidade é muito bonito, com casinhas coloridas alinhadas e um ponto privilegiado para o apreciar, no outro lado, elevado sobre a colina!

Passeei um pouco por ali, antes de seguir para o meu passeio pela ilha…

Não há muitas estradas para se escolher, apenas se segue a única na nossa frente e a paisagem vai-se revelando como uma sequência de cenários de encantar, provocando uma enorme vontade de parar a qualquer momento e simplesmente olhar!

Ao longe o The Old Man of Storr, aquela colina é inconfundível, com os pináculos de pedra espetados para o céu!

Um dia tenho de subir até ali!

Há caminhos que se percorrem até à grande pedra, só tenho de ir preparada para a caminhada, sem pressas nem pesos! Desta vez estava fora de questão faze-lo porque a vontade era de explorar outros caminhos, mais à frente, que me estavam a chamar mais!

Dali a paisagem era deslumbrante, com o sol a querer aparecer e a provocar efeitos de contraluz na máquina, por isso eu podia imaginar que, vista lá de cima, deveria ser de cortar a respiração!

E um dos encantos de Skye são os recortes vertiginosos da costa sobre o mar. A gente pode vê-los da estrada a cada passo!

Mas pode também caminhar até às bermas, de vez em quando!

Claro que eu fui parando nos pontos turísticos, onde toda a gente pára, e há tabuletas explicativas sobre o que se está a ver e tal, mesmo já lá tendo estado!

Porque também não é por acaso que foram decretados como pontos de interesse! As paisagens captadas dali são um espanto! E, se olharmos em redor, de um lado temos a falésia e o mar, mas atrás de nós continua visível o Old Man of Storr ao longe.

Havia gente por ali a caminhar e a fotografar a paisagem como eu, mas eu queria mais! Eu queria ver outras perspetivas, outras encostas! Por isso segui até onde ninguém estava, ninguém vai se não souber onde é, pousei a moto e subi! Um caminho quase impercetível através de um terreno privado, que subia bem acima do nível da estrada. Um espacinho entre os toros que seguravam a rede que delimitava a propriedade, permitia que passasse uma pessoa não muito gorda! E eu passei!

E lá em cima estava… a beleza e a paz absoluta…

Do outro lado daquele “morro” elevado, estava a falésia impressionante, onde de um lado estava o mar e do outro, um lago, criando a sensação de impossibilidade que só uma imagem fantástica consegue provocar em nós!

Que coisa linda, que momento exuberante! Com o mar muito abaixo dos meus pés, lindo!

No regresso para a moto quase não encontrava o caminho, depois de ter andado por ali não estava fácil descobrir a abertura na vedação para descer para a rua!

Mais à frente fica the Kilt Rock viw, onde toda a gente para, e voltei a encontrar os turistas todos que não se veem nas ruas mas estão nestes pontos!

Um grupo de motards ingleses veio falar comigo, gente simpática que ficou um pouco deslumbrada ao descobrir que eu estava mesmo ali sozinha, vinda de tão longe, com uma moto tão grande!

Trocamos informações sobre o que ver e o que já tínhamos visto e descobrimos que eu conhecia muito do seu país! Fiquei orgulhosa de mim! (Puxa, não tenho nenhuma foto do momento! Eu bem digo que sou tímida e ninguém acredita!

Na realidade eu tenho dificuldade em fotografar as pessoas com medo que elas não gostem! 😦 )

O nome Kilt Rock vem da associação das colunas de basalto verticais às pregas de um kilt, com cortes de pedra horizontais a formar o padrão, o tartã. Inicialmente eu pensava que era a catarata que era associada à saia, mas depois percebi que, embora ela possa ajudar, é a falésia que provoca o nome!

Estava a chegar ao ponto que eu queria explorar devidamente.

Ok, “devidamente” mas sem caminhada, que terá de ficar para uma próxima vez, (quem sabe quando eu voltar para ir até ao Old Man of Storr), mas com uma estrada magnífica para fazer!
Fosse ela mais longa que eu a percorrê-la-ia repetidas vezes na mesma!

Chega-se a Quiraing, anda-se por ali um pouco, as casinhas são encantadoras, fazem-se algumas fotos lindas, que mais parecem tiradas de um livro de encantar. Ok, alguns desenhos também, que aquelas casinhas têm de fazer parte da minha coleção de “desenhos de casas lindas de todos os países que visitei”!

E… a montanha me espanta, de novo, logo a seguir!

“A sensação de voltar a um sítio que me encantou é aquela que nos faz sentir conhecedores dos encantos que nos cativaram, de fazer caminhos que já percorremos e seguir por aqueles que nos chamaram a atenção mas não pudémos ver, porque o encanto estava por todo o lado e havia que fazer escolhas.

Passear por Quiraing até ao cume Trotternish foi atravessar o coração de Skye, cheio de silêncio e deslumbramento, como se nada nem ninguém conseguisse nunca perturbar toda aquela imensa paz! As vezes que eu parei, apenas para olhar, apenas para estar? As vezes que eu parei para fotografar, desenhar… fui e voltei, de um lado da ilha até ao outro e a cada perspetiva novos encantos se revelaram… um pouco do meu coração ficou ali, para sempre!”

(in “Passeando pela vida” – a Página)

E apenas o silêncio é digno de acompanhar tal paisagem! Acho que esse silêncio se pode sentir mesmo nas fotos…

Havia gente por ali, muitas pessoas param os carros e vão caminhar até ao cume, mas a montanha apenas tudo silencia e nada mais se ouve para além do leve som do vento….

Parei, desenhei, fotografei, segui até ao outro lado da ilha…

e voltei pelo mesmo caminho, só para ver tudo de outro ângulo!

Eu tive vontade de caminhar por aquela montanha com todos os caminhantes que ali se reuniam, e seguiam e… mas eu não podia!

Como conseguira depois continuar a conduzir com as pernas doridas? Para o fazer tenho de ficar tempo suficiente por lá depois, para recuperar do desgaste da caminhada, por solos íngremes e difíceis…

Não faz mal, eu vou voltar e vou escalar aquilo! Assim a vida mo permita!

E segui para Quiraing, para continuar as minhas explorações deslumbrantes!

Oh, aquela estrada é linda….

Pelo caminho, alem do milhão de fotos que fui tirando, ainda pude acrescentar mais uma ovelha ou uma vaca à minha coleção de animais desenhados em viagem!

Os bichos naquele país são uns atrevidos, não têm qualquer medo do ser humano e ficam assim, pasmados a olhar! E eu aproveito-me do seu ar de espanto para os desenhar!

E no meio de lado nenhum… há uma cabine telefónica! Não é espantoso?

De regresso ao ponto de partida, com o mar em baias encantadoras em Quiraing…. As pessoas olham para mim com curiosidade!

Eu sorrio e solto um “hello”, recebo logo um sorriso como resposta, acompanhado com um aceno de mão. As pessoas simples são iguais em todos os países!

(continua)

20. Passeando por caminhos Celtas – ainda Glen Coe e a Isle of Skye…

13 de agosto de 2014 – continuando

Os lagos sucedem-se e as pequenas povoações quase não se percebem na imensidão da paisagem. Casinhas pequenas, que se alinham discretamente junto a ruínhas estreitas, como se tivessem sido postas ali apenas para embelezarem o quadro. Claro que quando se vê uma casinha pitoresca com 2 motos à porta, ninguém consegue ficar indiferente!

Do outo lado da rua ficava o Loch Lochy, com uma luminosidade quase sobrenatural a torna-lo espetacular!

E de lago em lago fui-me deliciando de beleza! Desviei-me do meu caminho em busca de algo…

Cada enquadramento é um quadro perfeito que merecia ser pintado e tornado eterno na minha memória…

… mesmo o céu não estando azul, mesmo as nuvens ameaçando derramar-se a qualquer momento!

E encontrei-o, o Castle Stalker! Aparece numa curva da estrada, quando nada mais há no nosso lado direito e o lago fica livre no nosso raio de visão. Lá estava ele lá em baixo!

“Eu desviei-me bastante do meu caminho só para ir até ao Loch Laich encontrar o Stalker castel! Ele foi uma fortaleza do séc. XIV e conservou até hoje o seu ar de torre fortificada que lhe dá um toque de mistério. Da rua a gente vê-o lá em baixo, numa pequena ilhota de maré, e é inevitável parar e ficar a olhar! A minha motita serviu de suporte para eu o desenhar e perdi-me no tempo contemplando-o. Não estava aberto a visitas mas o seu encanto está também na paisagem que o envolve, se calhar mais que no seu interior… tão lindo, tão perfeito no seu enquadramento”

(in “Passeando pela vida” a página)

Eu iria passar ali de novo, por isso segui na direção de Fort Williams, porque a paisagem chama para continuar

com o Loch Linnhe, sempre encantador, a acompanhar o meu caminho!

O Commando Memorial estava cheio de gente, ao contrário da última vez que ali estive em que o pude visitar sozinha, com um sol inspirador como companhia!

Embora a magia que sentira da última vez se tenha perdido, com a presença de tanta gente, foi gratificante a sensação de que os homens a quem o memorial é dedicado não estão esquecidos…

O Memorial foi dedicado aos soldados que perderam a vida na II Guerra e posteriormente foi adicionado o Garden of Remembrance, onde têm vindo a ser colocadas as cinzas dos sobreviventes da mesma guerra.

Ali também têm sido colocadas as cinzas, e objetos de homenagem, de outros soldados que morreram em guerras mais recentes, como a Guerra das Maldivas, a Guerra do Afeganistão ou a Guerra no Iraque!

É grandiosa a escultura…

O povo chegava aos magotes, agora camionetas de turistas, mais do que gente devota ao local!

Segui para Skye com o sol a brincar com as nuvens e e o lago e a fazer parecer o crepúsculo, quando ainda havia tanto dia para viver!

Quando eu fiz aquele caminho da última vez, era de manhã cedo e eu sentia-me a entrar num mundo paradisíaco, em que tudo conspirava para me maravilhar!

Desta vez era fim de tarde a sensação era a mesma! Não há hora para aquele caminho nos surpreender mais ou mesmos, simplesmente é maravilhoso!

O Loch Loyne é apenas uma nesga de água no meio de tantos outros lagos que por ali há, mas a sua beleza é impressionante, porque pode ser visto da berma da estrada, com os montes a enquadra-lo tão perfeitamente que, se tivesse sido deliberadamente desenhado para ser belo, não teria ficado melhor!

Mesmo quando o sol e as nuvens o tentam tornar sombrio, nada perturba o seu encanto!

Coisas curiosas que encontro na berma da estrada! Se alguém ali ainda está à espera de um lembrete daqueles, já deverá ter pregado muito susto a muita gente pelo país acima! Eheheheh

O caminho de Skye é mesmo o caminho do céu!

E a placa esperada, aquela onde a minha Magnifica também teve a sua foto histórica! Skye à vista!

A seguir fica o Eilean Donan Castle…

Um dos castelos do meu coração mesmo antes de o conhecer! Eu queria vê-lo ao entardecer, sem multidões por perto e, se possível, com um céu lindo, um pôr-do-sol e iria voltar ali mal o céu estivesse do meu agrado… esperando que isso acontecesse durante os dias que destinara para estar por perto!

Por isso estive ali um pouco, tirei algumas fotos mas nem tentei desenhar. Havia multidões de gente e o ambiente não era inspirador, por isso!

Fui andando e olhando-o de longe

“Deus queira que haja um dia, um momento apenas, em que eu o possa ver como quero, enquanto estou perto…”

era tudo o que eu conseguia pensar, enquanto me custava seguir o meu caminho sem o ter desenhado uma vez sequer…

Então, quando a multidão não se interessava mais pela paisagem, a ponte de Skye aparecia ao longe!

“ Eu podia ver a ponte de Skye ao longe, por entre a penumbra do entardecer, e as nuvens tornavam-na quase misteriosa. Do outro lado a ilha de Skye parecia apenas a outra margem de um rio, de um lago! Chamam àquelas águas Loch Alsh, mas é um braço de mar que separa a ilha da Escócia e divide um paraíso em dois! Eu estava perto do meu destino e não me apressava em chegar, parei a moto mais uma vez, sentei-me na beira do muro e fiquei ali muito tempo, a ver a noite chegar. Eu sabia que precisava daqueles momentos para reviver sensações, matar saudades e criar novas memórias… A serenidade que sinto por aqueles caminhos é feita de um encanto que não se esgota em pequenas visitas, por isso eu quis voltar e por isso voltarei, seguramente, de novo…”

(in “Passeando pela vida” a página)

A minha casa era do outro lado da ponte…

E foi o fim do 16º dia de viagem…. dormindo no paraíso!

19. Passeando por caminhos Celtas – o regresso a Glen Coe e à Isle of Skye!

13 de agosto de 2014

Oh, quando eu abri os olhos e vi que estava sol, saltei da cama sem nem para o relógio olhar, tomei o meu “very-fast-duche” e saí a correr! Ainda não eram 7 horas da manhã e eu já andava na rua! E que lindo dia me esperava!

Depois de toda a chuva e de todo o aborrecimento do dia anterior, qualquer nesga de céu azul faria a minha felicidade!

Passei à porta do stand da Honda onde a minha Magnifica esteve internada

E segui, antes que a Ninfa se desse ao luxo de querer fazer uma visita!

Claro que passei pelo Riverside Museum, que estava a ser inaugurado da última vez que lá passei!

Muito interessante a construção, sobretudo com o sol a fazer reflexos nos vidros da entrada! Uma extensão do Glasgow Museum of Transport que, claro estava fechado àquela hora, o que me permitiu meter a moto onde quis para fotografar!

E fui fazendo uma visita às construções mais futuristas da cidade, que tinha já visto um dia, mas no autocarro panorâmico!

O Scottish Exhibition and Conference Centre, tattoo para os amigos!

A bola gigante que integra o Glasgow Science Centre

Com a moto por perto vê-se melhor a sua real dimensão!

E a construção meio arredondada, meio plana de vidro, do corpo principal do Centre, com vista para o rio Clyde.

Tudo aquilo fica no cais de Glasgow, o Glasgow Harbour. Ali ao lado está o edifício quadrado, tão vulgar perto das construções futuristas, da BBC Scotland.

E rumei para norte, o dia em que eu iria voltar a Skye era um dia de sol! Quanta alegria!

Pouca estrada depois cheguei à margem do Loch Lomond e foi delicioso.

Parei vezes sem conta, voltei para trás em alguns momentos, fotografei, sentei-me sem nada fazer, apenas a olhar e desenhei…

Uma espécie de euforia silenciosa percorria o meu coração, 3 anos antes eu prometera a mim mesma voltar ali de moto, depois de ter visitado o lago em mini-coach, quando a Magnifica avariou.

Nada foi tão sentido como desta vez, em que pude decidir o que fazer a cada segundo, a cada batida do meu coração. É essa liberdade que me preenche e me faz querer voltar aos lugares sozinha, em silêncio com todo um mundo que preenche o meu imaginário e alegra o meu encantamento!

Saia da estrada principal e deixava a minha bonequinha a todo o momento para ir ver de perto as perspetivas deslumbrantes do lago!

E as margens têm também os seus encantos, casinhas de bonecas autênticas sucedem-se fazendo apetecer entrar e apreciar o mundo visto de lá!

Atravessava depois o Queen Elizabeth Forest Park, onde montes de gente caminhava ou se preparava para caminhar por todos os lados! O tempo começava a ameaçar chuva de novo e o frio era bastante! Tive de parar para tomar algo quente e encher-me de roupa!

A passarada não tem medo de ninguém e foram vários os passaritos que vieram depenicar as migalhas do meu pão!

O sol não voltou cheio de força, mas também não choveu, foi espreitando aqui e ali enquanto eu me fui aproximando de Glen Coe!

Oh aquelas paisagens sempre me fazem sonhar!

Montes que são ondas vertiginosas e me fazem parar a todo o momento, a cada vez que lá passo!

Uma das minhas ânsias era voltar ali e desenhar e foi o que fui fazendo a cada vez que parava e não havia ninguém por perto!

Porque às vezes havia chineses aos magotes, que se espalhavam pela paisagem para se fotografarem uns aos outros lá no meio. Uma chatice porque aquela paisagem é quase sagrada e merecia uma silenciosa contemplação!

Então a minha moto despertava-lhes a atenção e, de repente, parecia tão interessante como toda beleza que nos envolvia!

E enquanto eu apreciava a paisagem deslumbrante, um monte deles apreciava a minha moto, tiravam fotos junto dela e tudo, como se fosse a maior atração da Escócia! Pediam-me para montar, e eu deixava, desde que deixassem a paisagem livre de gente para mim!

O tempo que eu andei por ali a passear!

Não havia muitos carros e as pessoas que caminhavam eram insignificantes no meio da grandiosidade da planície.

O Glen Coe é um vale encantado… é o que sinto ao passear por ele!
Grandioso, frequentemente considerado um dos lugares mais espetaculares e belos da Escócia, desta vez eu quis vê-lo de outros ângulos.

Desviei-me da estrada nacional que toda a gente faz, não há muitas para escolher por ali e as que há não têm saída, mas vale a pena ir por qualquer uma e apreciar o silêncio feito de encantos que aqueles recantos têm para nos dar.

E o céu já não estava azul… mas as nuvens podem ser também inspiradoras, sobretudo quando se passeia por um Glen que, como dizem por lá, “shows a grim grandeur”!

Fui parando, fui andando, fui fotografando e fui desenhando e tive vontade de ficar a cada paragem.

E a paz que eu senti da primeira vez que ali andei voltou a acontecer e a vontade de voltar instalou-se quando eu estava apenas a chegar!

Uma das coisas que eu mais queria era estar com tempo e calma na ilha de Skye e desenhar e pintar aqueles vales de Glen Coe. Era essa uma das grandes motivações da viagem que me levou da Irlanda para a Escócia. E eu dei-me o tempo necessário para o fazer, mesmo que o tempo não ajudasse.

Mas o tempo ajudou e eu pude estar em cada sito, e não apenas passar, e fotografar e desenhar e viver aqueles pequenas grandes emoções que parecem querer explodir no peito, quando as paisagens se sucedem quase irreais de tão perfeitas e belas.

Alguém exclamava de cá, no meu Facebook, “Escócia outra vez?”

E eu respondia mentalmente “A beleza não tem «outra vez» tem «sempre»!”

(continua)

18. Passeando por caminhos Celtas – mais um azar em Glasgow…

12 de agosto de 2014

O tempo não melhorou nadinha de ontem para hoje, a bem dizer piorou e muito, isso sim!

É deprimente acordar com um dia cheio de chuva e humidade, de cima a baixo, um dia daqueles em que nem é bom pensar sequer em tirar a máquina fotográfica para fora, sob pena de a humidade no ar dar cabo “dos seus rolamentos”!
M%//()%$da!

De novo me punha a questão, “saio ou fico no choco, a ver a água correr pelos vidros da janela?”
Decidi sair, eu decido sempre sair, na esperança de que algures, a uns quilómetros dali, o tempo esteja melhorzito… não estava e eu iria mesmo arrepender-me de ter saído de casa…

..  fui para sul!

Uma coisa que eu gosto é conduzir à chuva. Aprecio aquela sensação de atravessar o temporal sem me molhar, ouvindo musica confortavelmente, ao mesmo tempo que sinto a chuva bater em mim e o vento abanar um pouco a moto. Mas só aprecio esta sensação quando me convenço de que nada mais haverá para fazer, e foi o que aconteceu naquele dia.

O tempo não melhoraria em direção nenhuma que eu fosse, por isso decidi passear um bocado à chuva, voltar para Glasgow e enfiar-me “em casa” a escrever e a desenhar e pronto.

Há um encanto na natureza em reboliço que eu fui apreciando, percorri ruínhas estreitas que me levaram para longe de cidades ou aldeias, alegremente cantarolando ao som da música, até que precisei de abastecer… e foi aí que começou o pesadelo.

Estava numa pequena localidade e a bomba era quase a única coisa que havia ali para ver. Foi ao sair dela que eu senti algo de diferente na moto.

“Puxa, a rua é bem torta por aqui!” foi o primeiro pensamento que me veio à cabeça quando ela oscilou. Mas a rua era mesmo uma ruela por isso não estranhei de todo. Acelerei, reduzi, travei e aparentemente estava tudo bem, por isso siga para o monte…

Mas ou a rua era cada vez mais torta ou a moto não estava mesmo bem!
Eu estava já no meio de lado nenhum quando processei o que não quisera processar antes… eu tinha um pneu furado!

Quando a gente teve 11 furos numa moto durante apenas um ano e meio, como me aconteceu com a minha Africa Twin, a gente sabe muito bem qual é a sensação, eu apenas não quisera acreditar, até porque num pneu tubeless demora a perceber-se um furo. Na Africa Twin sentia-se logo pois quando a camara de ar fura o pneu vai-se abaixo rapidamente e pronto!

Ora eu estava algures na Galloway Forest, com uma moto de 326kg nas mãos com o pneu de trás furado, um temporal infernal cheio de vento e chuva e Glasgow a quilómetros de distância…

Não parei sequer para ver o pneu, enquanto eu conseguisse controlar a moto eu iria seguir. A sensação era que, se parasse a olhar para a moto, perderia o ar do pneu sem avançar dali para fora, por isso eu queria continuar, como quando uma moto deixa de funcionar e a gente a deixa continuar rolando até perder de todo a velocidade e parar por ela! E assim fui andando, quase sem reduzir a velocidade, por milhas e milhas!

Eu sentia a moto oscilar, como se a rua estivesse cheia de buracos e eu não conseguisse seguir a direito, mas o que me começou a perturbar mesmo foi o barulho do pneu vazio! Era horrível e assustador! Comecei a fazer filmes de terror, imaginando a jante a trilhar o pneu, este a esmagar-se para um lado e para o outro e a moto a descontrolar-se!

Calma, um dia eu conduzi a minha Varadero por centenas de quilómetros com o pneu de trás furado, por isso eu faria o mesmo com a minha Ninfa, e ponto final! Pus a musica mais alto, para não ouvir o barulho do pneu, e segui cantarolando, o que ajuda a relaxar!

Mais de 20 milhas depois cheguei a uma localidade, Maybole! As pessoas olhavam para a moto, tal era o barulho que o pneu vazio fazia! Havia uma oficina numa estação de serviço, fui pedir ajuda!

Só aí eu vi o pneu… e vi o furo, ou antes, o que provocava o furo, e processei que 20 milhas são mais de 30 km, a distância que eu já percorrera com o pneu assim!

Os homens não queriam acreditar que eu conduzira a moto desde a Galloway Forest até ali com tamanha monstruosidade enfiada no pneu!

Não me podia resolver o problema, pois não trabalhavam com motos, por isso encheram-me o pneu e indicaram-me uma oficina mais à frente umas milhas onde me ajudariam a seguir mais para frente.

A oficina seguinte também era de carros, por isso não me resolveriam o problema lá, mas o responsável/dono era um tipo muito simpático, que ficou impressionado por me ver ali sozinha, com aquela moto enorme, depois de a conduzir por tantas milhas com o pneu assim e deu uma grande ajuda. Ele também era motard e iria tentar remover o parafuso e pôr um remendo provisório que aguentasse o ar dentro do pneu para eu poder ir até à cidade seguinte e aí sim, trocar o pneu!

Fui dar uma pequena volta pela localidade, comer algo, relaxar!

Quando voltei a moto estava com o pneu em cima! Oh maravilha!! E o senhor deu-me um presente… a principio não entendi o que ele me dera para a mão, foi preciso ele dizer-me que aquilo era o parafuso monstruoso que estava enfiado no meu pneu! Céus!

“siga por umas 4 ou 5 milhas e encontra uma oficina de pneus, peça para lhe verem a pressão e lhe indiquem a oficina que fica na estrada X” dizia o senhor “tenha cuidado, não vá para Glasgow, porque o que eu fiz é muito provisório e pode sair a qualquer momento!”

“Go on and good luck brave girl!” terminou ele, erguendo o polegar para mim…


E foi um percurso em estafeta, seguindo indicações de oficina em oficina, onde me verificavam o pneu e me indicavam a oficina seguinte, até chegar a Ayr, num “Turn left, go straight and left again!” lá estava a ultima oficina para onde cada um me foi guiando, como se estivessem coordenados entre si: uma oficina Honda!

Fui recebida com simpatia, mas só tinham um mecânico a trabalhar, por isso teria de esperar até às 3 horas para ser atendida. “No problem”, com a bosta de tempo que estava a pressa não era nenhuma! Alem de que passava da 1.00 hora e eu tinha de comer, o esforço e a preocupação sempre me enchem de fome!

Senti-me vaidosa porque a minha bonequinha despertou a atenção de quem estava, várias pessoas a vieram ver a elogiar! Era a única Pan no estacionamento e era a mais bonita moto que lá estava! A mim chamaram-me “the best rider in the world” porque cheguei com ela ali depois de mais de 40 milhas de Estrada com o pneu furado!

“Glasgow ficará para sempre lembrada como a terra do azar para mim! Se alguma vez eu disser que vou voltar à Escócia, por favor alguém me lembre de não ficar em Glasgow, apenas passar e andar!
Apenas falhou por uns 7 dias para ser exatamente 3 anos depois do tal dia 19 de agosto de 2011, quando o primeiro azar se manifestou…
Pois, e hoje foi dia de azar de novo!
Às vezes perguntam-me como farei eu se tiver um azar em viagem, estando sozinha, uma avaria um furo, qualquer coisa!
Uma avaria, tive-a cá no tal dia 19 de agosto e resolvi-a com a minha seguradora e a gente daqui.
Um furo, tive-o hoje e resolvi-o conduzindo por mais de 40 milhas até chegar onde me pudessem ajudar. Gente simpática, de oficina em oficina, lá me foram mantendo o pneu suficientemente alto para a jante não chegar ao chão, até chegar a uma oficina Honda em Ayr.
O furo? Era uma enormidade, o que foi mantendo um pouco de ar foi o próprio parafuso que o provocou. Um parafuso enorme que atravessou o pneu em dois sítios, por onde entrou e por onde saiu a ponta!
O parafuso era uma coisa monstruosa!
Tudo está bem quando acaba bem… espero!”

E fui passear por Ayr!

É uma cidade muito antiga e interessante, não fora a situação que lá me levara e o péssimo tempo que me recebera, e teria sido uma visita muito interessante a uma bonita cidade!

Foi uma alegria, porque apesar do mau tempo as ruas estavam cheias de gente e isso era tudo o que eu precisava naquele momento para me distrair e alegrar um pouco!
A Wallace Tower é quase como a torre dos Clérigos no Porto, vê-se de todos os cantos da cidade!

Deu para comer e passear, ver montras, visitar o posto de turismo e o rio Ayr, que dá o nome à cidade!

Quando voltei estava a minha bonequinha na “mesa de massagens” toda contente!

Foi quando o senhor que me atendera me veio dizer que o meu pneu da frente estava muito gasto para eu fazer todo o caminho que ainda me faltava fazer naquela viagem, por isso não me queria deixar ir embora assim e me aconselhava mudar também o pneu da frente!

Fiquei a olhar para ele! Como é que ele sabia o caminho que eu estava a fazer se eu nada lhe dissera a propósito! Então ele explicou que foi para a internet procurar pelo nome que está nos autocolantes da moto e descobriu o meu blogue “Passeando pela vida” onde estava o desenho da minha viagem.

Ora, mesmo não sabendo se eu estava na ida ou na volta, já que naquela zona a viagem cruzava sobre si própria, percebeu que eu estava muito longe de casa e que o meu pneu da frente não aguentaria de qualquer maneira, trazer-me em segurança até cá, por isso o melhor era mudar o pneu ali, pondo o par do que me estava a pôr atrás, e eu não teria mais com que me preocupar até casa!

E deixaram-me estar junto da moto e ver tudo o que faziam. pude ver os estragos do furo de perto..

E ver, por dentro, o remendo que o outro senhor fizera. injetara uma matéria tipo borracha que soldara o furo provisoriamente.

Aqueles escoceses são mesmo como nós, gente simpática que sabe conversar e argumentar. Fez-me um preço de amigo e pôs-me o par de pneus Michelin, um pneu novo que ele diz ser especialmente bom para chuva e inverno, e que eles usam muito por lá por causa do clima…

A verdade é que o piso dos pneus é muito diferente do que estou habituada com os Bridgestone!

280£ e não se fala mais disso!

Toca a pôr o pneu da frente, porque o outro estava mesmo bastante gasto e eu sabia que teria de o trocar algures mais dia, menos dia, por isso fi-lo ali mesmo e pronto!

E o pneu da frente ainda tem um piso mais curioso que o de trás!

Uma voltinha para ver se está tudo bem e a minha bonequinha estava pronta para enfrentar o mundo… se não encontrasse outro parafuso mafioso pelo chão, claro!

Se a cada vez que eu for à Escócia eu for tomar um chá a uma oficina Honda nova, o melhor é eu pensar em não ir lá muito frequentemente!

Despedi-me antes que começasse a querer comprar bugigangas pela loja e fui embora.

Uma belíssima bosta de tempo esperava-me para me acompanhar até Glasgow!

Não segui imediatamente para Glasgow, quando estou longe e vou a uma oficina com a moto, nunca parto a correr dali para longe, pode alguma coisa não estar bem com ela e eu quero estar perto para poder voltar à oficina se for necessário. Por isso fui dar uma volta… para o cemitério da terra!

Ok, eu sei que normalmente as pessoas não passeiam em cemitérios, mas eu gosto! E por lá parece que toda a gente gosta de passear em cemitérios também, por isso até me enquadro na mentalidade deles!

E uma coisa que me chamou a atenção e me fez entrar foi o cemitério dos bebés!

Eu sempre acho que a morte não é coisa de criança ou bebé, por isso sempre achei os cemitérios “normais” muito “pesados” para uma criança pequena! E ali eles têm um jardim todo enfeitado para as criancinhas, como se elas pudessem querer brincar a qualquer momento e nada lhes faltasse.

O ambiente enterneceu-me e foi isso que me fez ir ver de perto! Muito bonito…

E como por aquele país se passeia pelo cemitério como por um jardim, pode-se também conduzir por ele e foi o que eu fiz!

Lá estavam as cruzes celtas, aqui e ali. E o ambiente era muito bonito para se passear mesmo!

Ainda bem que se podia andar por ali de moto, porque aquilo era mesmo muito grande para se visitar a pé!

Finalmente lá segui para Glasgow, quando me certificara já de que tudo estava bem com a minha motita!

A Glasgow Cathedral é uma construção impressionante que eu não tinha visitado da última vez que estive na cidade e, infelizmente, desta vez encontrei-a fechada! Pousei a moto num canto e fui explorar a zona, já que a igreja estava fora de questão!

O edifício é lindo, é gótico e é a única catedral que sobreviveu ilesa à reforma religiosa escocesa. Foi construída no séc. XII, dedicada a Saint Mungo, e hoje não é católica.

Por trás, depois de atravessarmos uma ponte pedonal, fica a Glasgow Necropolis, que se estende por uma grande colina em construções extraordinárias que fazem dela muito mais que um mero cemitério.

E sim, fui visitar mais um cemitério! 😀

Aquilo é um verdadeiro jardim de esculturas imponentes e impressionantes!

E juntei mais duas ou três cruzes celtas à minha já extensa coleção… tão lindas!

Um jardim vitoriano que é um memorial aos patriarcas e comerciantes da cidade e que contém os restos dos grandes nomes da época. Hoje é um dos cemitérios mais importantes da Europa e é, por isso, uma grande atração para os visitantes do Reino Unido!

Com o tempo escuro e chuvoso a visita ao local tornou-se muito mais inspiradora e as perspetivas da cidade e da catedral eram espantosas, para quem olhava lá de cima. Inspirador!

E foi o fim de um dia esgotante, fui-me enfiar no bar do hostel a comer e a beber porque estes dias em que nada se faz para além de apanhar chuva e resolver problemas, esgotam um viajante!

E foi o fim do 15º dia de viagem…

17. Passeando por caminhos Celtas – do outro lado… a Escócia

11 de agosto de 2014

Foi tudo muito estranho naquela manhã, como eu stresso sempre que tenho de embarcar a moto num ferry, levantei-me cedo para ir com calma até ao porto, que, estupidamente, não me lembrara de procurar no dia anterior! A minha ideia era ter todo o tempo do mundo para o procurar, trocar o papel de reserva pelo bilhete e embarcar sem stress.

Nada disso aconteceu, toda a gente parecia querer conversar comigo ao pequeno-almoço. Fazendo perguntas, querendo saber do que eu já vira na minha viagem e por aí fora! Acho que se tinha espalhado a ideia de que eu era uma grande viajante de moto, que viajava sozinha e já vira “mundos e fundos”. Valha-me Deus, tive de desiludir aquela gente e dizer-lhes que nada de especial se passava, eu apenas estava a fazer uma viagem muito menos impressionante do que outras que já fizera.

Não adiantou nada, continuaram as perguntas e, se eu não me pusesse a andar, ainda estaria lá hoje a contar histórias de tudo o que vira e vivera pela estrada fora!

Gente simpática com quem gostei de falar, não fora o meu stress em descobrir o porto e tratar de tudo a tempo. O caminho que eu faria naquele dia inspirava toda a gente…

Quando finalmente consegui seguir foi tudo uma correria. Primeiro a porta do porto que me aparecia não era aquela onde ficava o meu cais de embarque, depois entrei onde não devia e não conseguia sair! Oh pânico, com o tempo a escoar-se! “calma que é para lá estar 1 hora antes, por isso tenho essa hora a meu favor, posso ser a ultima a embarcar!”

Um guarda viu-me chegar de dentro do porto, e veio ver o que eu queria. O torniquete estava fechado e eu não podia sair! O senhor foi muito simpático, fez o desenho num mapa do caminho que eu tinha de fazer até ao Belfast Port – Victoria Terminal com direito a um livrinho sobre o que ver em Belfast. Muito bom, sobretudo quando eu já prometera a mim mesma lá voltar um dia.

As suas indicações foram tão precisas que eu, que já estava a ficar atrasada, acabei por chegar cedo ao terminal! É sempre assim, por isso eu sempre acho que stressar é uma perda de tempo!

E a minha bonequinha ficou ali sozinha, no meio de um parque infinito!

É assim que eu gosto, chegar cedo e explorar o local com calma, musica nos ouvidos e máquina em punho.

Não chovia por isso deu para eu andar mesmo por todo o lado e meter conversa com as pessoas do porto e tudo!

Quando os carros e os camiões começaram a chegar as perspetivas do parque de embarque eram cada vez mais interessantes. Comecei a perceber que eu seria a única motard a bordo!

Tudo o que eu queria é que o tempo se mantivesse estável do outro lado do mar… não queria nada ser recebida com chuva na Escócia!

Mandaram-me entrar sozinha! Que sensação de “star” só faltava o tapete vermelho!

Tratamento VIP para a minha Ninfa!

E demorou para caramba a começarem a entrar os carros! Parecia que eu seria a única a partir!

“O mar e as águas sempre me fascinam, eu poderia contar aos milhares as fotos que capto desses encontros com paisagens que me cativam com lagos, rios e mares! Naquele dia eu juntava mais um mar e uma travessia ao meu mundo de experiencias inesquecíveis: o Irish Sea. Uma faixa de Atlântico entre as duas ilhas que separa, por vezes, dois climas tão diferentes como se atravessássemos todo um planeta! Naquela travessia assim foi, em Belfast o tempo estava cheio de nuvens inspiradoras, com o sol a espreitar e provocar enquadramentos fantásticos, em Cairnryan e pela Escócia até Glasgow, o céu ameaçava cair com toda a força em cima de mim… o que acabou por acontecer mesmo.
Mas o mar, oh o mar era lindo, quase irreal, uma cor e uma calma inesperada num espaço longo entre duas grandes porções de terra que me tinham feito imaginar turbulência e ondulação fortes. Tenho de explorar melhor aquele mar e as ilhas que nele se encontram…”

(in “Passeando pela vida” – a pagina)

Naquela viagem fiz amizade com 2 senhoras de idade que viajavam sozinhas, eram irmãs e vinham da Austrália. “Não há idade para se conhecer o mundo!” dizia a mais faladora. Muito inspiradora a conversa que mantivemos, fiquei com vontade de ir até à outra ponta do planeta visita-las um dia!

A viagem foi curta e eu podia ver a chuva à minha espera, lá fora. Por isso já sai do ferry, toda empacotada no fato de chuva… uma pena!

Detesto não poder parar e ver o que há, como tudo é. É uma frustração entrar num país e nem poder ver como é a entrada! Já me acontecera isso ao entrar na República da Irlanda, depois na Irlanda do Norte e agora na Escócia! Raios de chuva!

Mas na Escócia a chuva viria a revelar-se bastante inspiradora! Entre umas nuvens e outras eu teria tempo de captar enquadramentos muito curiosos, com nuvens monstruosas, por vezes, o que me agrada sempre!

Logo ali fica Kirkoswald, uma aldeia muito fofinha onde o mau tempo e a ventania pareciam nada perturbar!

Aproveitei uma aberta para desenhar uns cavalos muito simpáticos, de jaqueta vestida, que encontrei num campo. Faltava-me um cavalo na minha coleção de animais, que já contava com ovelhas, vacas normais e vacas cabeludas, patos, cisnes e um esquilo que se metera comigo algures!

E os cemitérios com as suas igrejas em ruinas, continuavam a fascinar-me! Iria visitar mais uns quantos pela Escócia fora!

Mais à frente ficava a Crossraguel Abbey, uma construção do séc. XIII em ruinas. Tinha de pagar bilhete para visitar! Como? Com aquele tempo foleiro, pagar para andar à chuva a ver ruinas? Nem pensar!

Vi-a da rua e pronto! Se eu fosse a pagar para ver todas as ruinas que me aparecessem no caminho, precisaria de um orçamento de viagem inteiro só para isso!

Ok, tive pena porque era muito bonita, mas nem um céu azul eu tinha para fazer umas fotos decentes, por isso, fotografei da rua e segui caminho!

Só parei em Glasgow. O tempo piorara, com chuva mais intensa e rajadas muito fortes de vento, o que tira um bocado o prazer de conduzir.

Glasgow… já fui infeliz ali, quando em 2011 a minha motita avariou e eu fiquei tão desamparada sem ela. Estacionei a Ninfa junto do parque onde a Magnífica colapsou naquela época. Não me apetecia nada pôr esta moto no lugar onde a outra se sentiu tão mal!

O parque era aquele edifício amarelo às riscas e lembro-me de estar lá dentro, espreitar cá para fora e ver um estacionamento para motos, onde havia uma Pan European estacionada. Desta vez foi a minha moto que ficou no estacionamento da rua!

Fiquei hospedada no mesmo hostel onde fiquei há 3 anos e, como quem chega a casa, fui passear pela cidade ao anoitecer. Afinal eu acabei por conhecer bem aquelas ruas em dias de espera que ali passei…

A ponte pedonal sobre o rio Clyde fica particularmente bonita de noite, com iluminação em vermelho!

E o rio, com as luzes da cidade, é sempre tão bonito!

Fui passeando pela zona comercial The City Centre, muito inspiradora com as luzes!

Encontrei edifícios que conhecera durante o dia e que de noite eram bem curiosos!

E the George Square, a praça principal de Glasgow, onde 3 anos antes vira a “lavoura” das filmagens com Brad Pitt do filme dos zombies que estriou há cerca de um ano por cá! !

Acabara por se pôr uma noite bonita e havia gente a passear por ali e a tirar fotos como eu. Lá estava o mausoléu aos heróis de Guerra da cidade.

Eu já fotografara aqueles leões e voltei a faze-lo. São giros!

Eu gosto de fotografar de noite, quando as luzes provocam enquadramentos dramáticos!

“Há 3 anos, quando me passeava pela Queen’s Street, em Glasgow, deparei-me pela primeira vez com a Gallery of Modern Art – GoMA, um edifício neoclássico imponente! Eu gosto bastante daquele estilo, por isso admirei a construção em todos os ângulos! Em frente fica a estátua equestre do Duke de Wellington e ostentava na época um cone de trânsito na cabeça! Pensei que tivesse sido um ato de vandalismo, depois acabei por descobrir que aquilo era arte e desta vez descobri que é um símbolo! Representa a atitude de despreocupação da cidade em relação à autoridade. Aquele cone já foi substituído por diversas vezes para manutenção, já foi pintado para comemorações, (dos jogos olímpicos, por exemplo) e já foi substituído por um chapéu (para honrar patrocínios da equipa de futebol)! Desta vez, ao voltar ali, lá estava o cone às riscas vermelhas e brancas na cabeça do homem e a novidade é que o cavalo também tinha direito a um só para si, em amarelo! Aqueles escoceses batem mal!”

(in “Passeando pela vida” – a Página)

E fui dormir… esperando secretamente que o tempo se mantivesse suficientemente estável para me permitir dar umas voltas por ali e depois seguir para norte sem muita chuva, nem céus depressivos de nevoas até ao chão… Desta vez eu queria ver a Escócia sem preocupações, nem avarias, nem aborrecimentos…

Não seria bem assim, mas eu ainda não sabia!

E foi o fim do 14º dia de viagem!