11. Passeando por caminhos Celtas – atravessando a ilha, de Galway até Dublin

6 de agosto de 2014

De Galway até Dublin são cerca de 200 km que se fazem nas calmas em pouco mais de 2 horas, mas acabei por fazer mais do dobro dos quilómetros e demorar todo o dia a chegar de um lado da ilha até ao outro! Fantástico não é?

Quando confiro as horas em que tirei a primeira foto e a ultima, constato que demorei 16 horas naquele caminho! Depois ao passar os olhos pelas fotos e ao tentar escolher algumas para relembrar todo o dia, a enorme dificuldade na escolha explica bem todo o tempo que demorei naquele caminho… foi um dia lindíssimo!

A primeira foto foi no hostel quando me preparava para tomar um “pequeno-grande-almoço” e decidia o que iria ver.

Há dias assim, em que me apetece ver tudo, fazer tudo, mas tenho consciência de que não pode ser, por isso há que traçar um plano e ir andando e ir vendo!

Ora os meus planos não são sempre cheios de lógica, por isso decidi ir para a costa este antes de me dirigir para costa leste. Logica decisão não é?

A lógica é que seu sabia que ali havia muita coisa bonita para ver e que eu não podia partir sem conferir um pouco, pelo menos!

Quando preparava a minha motita para partir, reparei que aparecíamos refletidas na montra em frente, não resisti em registar o momento! Acho sempre giro, mais tarde, relembrar o aspeto que ambas tínhamos durante a jornada!

Claro que, como sempre, antes de partir dou uma voltinha pelo sítio onde estou. Galway não é a cidade mais espetacular que conheço, mas tem pormenores bonitos. Naquela despedida decidi ver aquela enorme igreja por onde eu passara varias vezes.

A Cathedral of Our Lady Assumed into Heaven and St Nicholas é uma igreja extraordinária!

Tem pouco mais de 50 anos de vida e é um edifício surpreendente. Olha-se para ela de fora, construída em pedra cinzenta, e não se adivinha a luz, o espaço e a beleza interior!

Tem planta cruciforme e o altar fica no ponto onde a nave se cruza com o transepto, o que faz com que haja filas de bancos alinhados em todas as direções e a gente quase perca a noção de que lado entrou!

Por cima do altar fica uma cúpula com mais de 40 metros de altura, com uma luminosidade diferente para o interior e é visível, no exterior, a partir de quase toda a cidade. Uma construção recente cheia de referências e influências do passado, muito interessante!

Logo ali fica o rio Gaol e demasiada confusão para que me apetecesse ir ver a igreja medieval da cidade. Terá de ficar para a próxima vez!

Passeei pelo rio um pouco, seria a última imagem da cidade!

E segui para a costa este, que eu tinha muita vontade de conhecer! Eu sabia que teria estradas lindas junto ao mar para fazer, mas o caminho começou bem antes a maravilhar-me!

Ruínhas desertas, montes e vales, rios e lagos, tudo tão quase irrealmente lindo.

Eu dirigia-me para a “Wild Atlantic Way” e tudo era tão bonito mesmo antes de lá chegar!

Cada paisagem, cada enquadramento parecia ou merecia um desenho! Não, merecia um quadro!

Então eu parava e focava mais a minha atenção e havia casas, lagos, arvores e todo um cenário de encantar! Sim, tive de desenhar de vez em quando!

E no meio do lago havia pequenas ilhotas e um castelinho em ruinas…

Lá em baixo vi o Clifden Castle… a tentação era grande de o ir ver de perto.

mas eu podia ver que o acesso se fazia por um caminho de terra e não me apetecia nada meter por ali a moto ou, pior ainda, caminhar para caramba até lá…

sobretudo sabendo que havia tanta paisagem deslumbrante para ver por ali. Decidi pelas paisagens, se um dia eu voltar ali, não me esquecerei de ir até ao castelo.

A ruínha era tão inspiradora, eu passeava pelo Connemara National Park e a ruínha que fazia tinha um nome muito inspirador: the Skye Road Loop!

A vantagem de fazer uma rua daquelas de moto é que se pode parar a todo o momento, desde que se encosta bem à berma, pois se formos de carro nem pensar, há que ir atento e procurar uma “orelha” próxima para se meterem e permitirem o cruzamento!

Oh, e as vezes que eu parei!

Ao voltar fiz outro caminho, uma rua mais civilizada, sem jardim no meio e tudo! Um pouco mais acima da outa e com uma perspetiva diferente a paisagem.

Mas eu sou um pouco irrequieta e fazer uma rua com um piso tão bom não foi por muito tempo! Havia algo que eu queria ver e lá meti a motita por caminhos menos aconselháveis! Ela não é uma trail mas já está habituada!

Eu sabia que valia a pena ir espreitar lá para baixo!

Voltei a passar em Clifden, mas só vi a cidade “por cima”

porque o Connemara National Park é logo ali e é deslumbrante!

Tudo estava perfeito, o céu azul com nuvens deslumbrantes, os lagos, os montes, parecia artificial!

Houve momentos em que parecia que estava na ilha de Skye, na Escócia!

Oh, as vezes que eu parei e o tempo que fiquei parada de cada vez!

Tudo era tão perfeito que tinha a sensação que fotografia nenhuma, desenho nenhum, conseguiria captar o que os meus olhos viam!

Mas na realidade era a minha grande satisfação que me fazia sentir quase eufórica de prazer e me fazia temer não conseguir guardar o momento para sempre…

E cheguei à Kylemore Abbaye

Na realidade aquilo era um castelo construído só séc. XIX e só se transformou em abadia depois da I Grande Guerra, em 1920, quando freiras beneditinas vinda da Bélgica, o compraram. E as freiras mantiveram a abadia em funcionamento com uma escola para meninas católicas até 2010!

Ali ao lado fica o Pollacapal Loch que quase se liga ao lago maior, o Kylemore loch, que me acompanhara no caminho para ali.

É impossível não tirar um milhão de fotos ao local!

O palácio estava cheio de gente dentro, que não se mexia, apenas estava por ali a conversar e a tirar fotos junto de tudo o que pudesse!

Dei a volta e fui-me embora para os jardins que, sendo maiores, não deviam estar tão cheios paparazzi!

Há ali uma igreja que chamam gótica, mas é neogótica, claro. Até as gárgulas são anjinhos em vez de monstrinhos!

Bonitinha e pequenina, com um teto muito bem conseguido!

A igreja é praticamente da largura do altar-mor! Muito fofa!

Depois há os jardins vitorianos, muito bonitos e coloridos.

O tempo já não estava nada simpático e começava mesmo a chover…

uma pena pois eu queria ver muitas coisas e agora sim, estava um bocado longe do meu destino daquele dia! por isso segui sem parar mais para leste.

No meio do país ficava um dos meus grandes destinos daquele dia e daquela viagem.
The Monastery of Clonmacnoise era um dos sítios históricos que eu queria muito visitar. Espantoso, antigo, impressionante… sagrado! Fundado no séc. VI remonta aos primeiros tempos da cristandade por terras celtas.

Simplesmente espantoso, com o seu cemitério impressionante e as suas cruzes únicas e extraordinárias!

São 3 as grandes cruzes que eu queria ver: North Cross – a Cruz do Norte, lindíssima e a mais antiga das cruzes de Clonmacnoise não é mais uma cruz, é apenas o tronco principal

A South Cross – a Cruz do Sul, gravada com pregos redondos e uma cena da crucificação.

e a Cross of the Scriptures – a Cruz das Escrituras, a mais bonita e a que me apaixonou completamente! 4 metros de cruz!

Eu gosto de tirar fotos sem ninguém por perto, mas ali esperei que as pessoas se chegassem para poder ter um termo de comparação, alguém que fizesse de escala, para se poder ver a dimensão da obra! É grande!

Não resisti, peguei no meu livrinho e pus-me a desenhar. Um senhor que andava por ali, tão maravilhado quanto eu, quis a todo o custo comprar-me um desenho! Mas eu não queria arrancar a folha do livro, então ele foi pedir uma folha de papel ao balcão da receção e eu fiz-lhe um. Tive de aceitar 30£ depois, ou ele não me largava!

Desenhei as 3 mas mostro aqui a que mais gosto!

Estas 3 cruzes e algumas lajes e pedras gravadas, foram movidas para o interior do centro de interpretação e, no seu lugar foram colocadas réplicas perfeitas, para proteger património tão extraordinário.

Tinha voltado um pouco de sol, só para alegrar a minha visita exterior ao cemitério e mosteiro. Perfeito!

Uma pinguita de chuva de vez em quando, mas nada de especial, a menos que acerte na lente!

Lá estava uma das réplicas. Obra espantosa! Depois de ter estado junto da original já nem tinha a certeza se tinha lido bem, pois esta também me parecia original!

Exatamente em frente à porta do mosteiro fica a “minha” cruz das escrituras… linda e perfeita como a original!

O mosteiro tem dentro tumbas e cruzes, como acontece em toda a Irlanda, o que permite enquadramentos curiosos!

As pessoas junto das cruzes pareciam tão pequenas…

“Eu queria muito vê-las… e elas estavam mesmo por todo o lado, as cruzes celtas! Tão belas e misteriosas a levar-me para histórias antigas de fadas e druidas. E a levar-me também para cemitérios e ambientes cheios de significado. Eu sempre apreciei estes climas de intensas sensações e a Irlanda proporcionou-me muito mais do que eu pudera imaginar, em entardeceres que provocaram arrepios de prazer e respeito que percorrerem a minha coluna a cada momento…”

O cemitério que o rodeia é utilizado até hoje e ali se celebram serviços religiosos regulares, por isso há no local uma construção moderna em vidro, que faz lembrar a capela das aparições em Fátima, só que mais modesta e discreta. A sensação de pisar aquele solo foi muito forte e curiosa…

E a chuva voltou de novo e eu fui embora para Dublin toda satisfeita porque tinha conseguido ver o que queria. Dei umas voltas e fui encher-me de comida para um self-service chinês, que a fome já era negra!

A comida era muito boa e muita! Exatamente o que eu precisava!

E fui para casa de naquele dia era em Dublin!

E foi o fim do 9º dia de viagem!

10. Passeando por caminhos Celtas – o condado de Galway

5 de agosto de 2014

Havia tanta coisa que eu queria ver por ali e, de repente, apercebi-me que era tudo cemitérios, ruinas, castelos e mar!

“valha-me Deus, pareço um rato de cemitério a catar tumbas!”

Que se lixe, cada um gosta do que gosta e eu não podia deixar de ver o que tanto me atraia naquele país! Ok, de uma próxima visita verei outras coisas, nesta vou às cruzes!

Pronto, também não vi só ruinas e cemitérios! As casinhas por ali continuavam a fascinar-me, então as de telhado de colmo eram deliciosas! Consegui desenhar umas quantas para juntar à minha coleção de janelas, castelos e cruzes!

E havia-a sofisticadas mas também simples e fofinhas, como casinhas de bonecas!

Dirigia-me a Kinvarra, uma pequena vila piscatória que tem um castelinho muito fofinho à entrada!

O Dunguaire Castle é uma construção do séc. XVI que fascina pela sua beleza simples e pela sua localização encantadora, sobre a baia de Galway!

Há histórias e lendas associadas ao castelo e ao seu lord, uma lenda conta que o rei, King Guaire, era muito generoso e que, mesmo depois da sua morte, o continuou a ser e que um mendigo que ele sempre ajudara visitou o seu tumulo murmurando “King Guaire, even you cannot help me now.” e naquele momento a mão do rei deixou cair algumas moedas aos pés dele, como sempre fizera em vida!

Mas a lenda que me cativou mais foi aquela que diz que, ainda hoje, se uma pessoa fizer uma pergunta junto do portão da frente, ela terá uma resposta no final do dia. Não experimentei… de repente eu não tinha nenhuma pergunta para fazer, como é possível?!

Está aberto no verão, não se paga nada e não tem muito o que ver lá dentro, apenas o pátio e a torre. Mas é bonitinho sim senhor!

Logo a seguir fica a vila e o castelo é visível da berma da estrada por algum tempo!

A gente pára um pouco e tudo é bonitinho por ali!

E a vila é um sossego, com a baía do outro lado da estrada, que inspira para parar e relaxar!

“Quantas vezes parei, quantas vezes fiquei quietinha na berma de uma estrada, de um rio, de um lago, apenas a contemplar? O segredo é não pensar, não me preocupar com o que há mais para fazer para além disso mesmo, contemplar! Porque há momentos únicos, que não se repetirão numa viagem, mesmo que eu volte a passar no mesmo sítio por qualquer motivo. É assim e pronto, o espirito vai-se, a sensação perde-se e a surpresa já não existe. Por isso cada momento deve ser vivido como se nunca mais se voltasse a repetir, porque não se repetirá mesmo!”

Fixando bem, ao longe, do outro lado da água…

Lá estava ele…

Finalmente decidi-me a seguir para algures, claro que sempre escolhendo grandes avenidas com ótimo piso… ao ponto de temer voltar-me de pernas para o ar com a qualidade do alcatrão!

Quando, quilómetros depois, passei por uma placa que falava de um tal Cloonacauneen Castle! “Boa, vou lá vê-lo!” e segui por caminhos e ruínhas estreitinhas, entre campos de cultivo e pequenas localidades, sempre me maravilhando com umas coisas e outras até chegar a ele.

Era tão lindo, bem enquadrado, com a torre forrada a heras, um sonho! Mas era um restaurante, uma espécie de quinta para eventos e eu não podia visita-lo. Que pena! Andei por ali a espreitar por cima dos muros. Um castelo normando do séc. XV simplesmente encantador!

Paciência, não dá para ver de mais perto vê-se de mais longe! Depois não faltam coisinhas lindas para ver, casa por exemplo, que eu adoro!

… e os cemitérios…

São tão frequentes os cemitérios com uma abadia em ruinas no meio que a dada altura eu já não pararia em todos, ou ainda por lá andaria a cata-los! Mas há ali uma atmosfera que me fascina, isso há!

A Annaghdown Cathedral é do séc. XII e só tem as paredes em pé, mas tem uma janela românica espantosa!

Parece que ficou em ruinas há muitos séculos, entre guerras e lutas…

E lá estavam elas, as cruzes, cheias de liquens que as tornavam ainda mais espantosas!

Escrevia eu no meu Facebbok:

“A Cruz Celta sempre me fascinou, tão anterior ao cristianismo e no entanto uma cruz! Podem-se encontrar por todas a zonas celtas, mas a Irlanda está cheia delas, desde as originais até às versões mais recentes. E são lindas! A cruz do sol, dedicada ao deus Odin pode representar os 4 elementos. Hoje está também associada à religião cristã, afinal os celtas também se foram convertendo ao cristianismo. Para mim será sempre a «cruz daqui»!”

E então o perfil do cemitério relvado, com as cruzes incertas, em contraste com o céu cheio de nuvens sugestivas, foi o êxtase total para mim! Sentei-me numa tumba e desenhei, pois então!

Há por ali mais vestígios das construções da abadia a completar o quadro, com uma relva que quase parece almofadas debaixo dos nossos pés, de tão fofa e espessa que é!

Lá voltei às ruelas e ruínhas e segui até ao lago, o Loch Corrib!
A bem dizer eu nunca sabia se o que via era mar ou lago, porque ali há de tudo e por todos os lados! E o lago dali é simplesmente enorme, de perder de vista!

Pus-me a desenhar barcos, pus-me a desenhar tudo! Afinal eu nem queria ir muito longe, apenas queria curtir o estar ali!

E tem um castelinho e tudo! Pelo menos onde eu andava, porque do outro lado deverão haver outros, já que aquilo é tão grande e os antigos sempre gostavam de pôr os seus castelos ou em cima das colinas, ou na berma dos lagos! Dizem que o condado de Galway tem mais de 200 castelos!

Fui procura-lo, queria vê-lo mais de perto!

Mas não dava, era privado e não dava para aproximar, uma pena!
Castelos privados, é o que há mais por ali! Como será ser proprietário de um castelo, só nosso, privado?

Acho que a mim me bastaria ser proprietária de uma pequena casinha encantadora, de telhado de colmo! Grande nau, grande tormenta e sustentar um castelo não há-de ser barato!

Voltei a parar, voltei a desenhar, que coisinha linda!

E sim, logo a seguir havia outro!

Um castelinho branco! Embora à primeira vista possa parecer que terá sido adulterado, isso não é verdade. O castelinho, é do séc. XVI e foi restaurado de acordo com o aspeto que ele teria na época!

Na realidade ele é uma torre/casa fortificada que tinha como finalidade proteger os seus habitantes e não uma população!

E as mansões sucediam-se! Vive-se bem naquele país!

De repente uma ruina por trás das mansões! Cruzes, o que é aquilo, sem qualquer indicação? Se fosse na Inglaterra teria uma dúzia de placas a indicar o monumento, mas ali não tinha nada!

Eu até podia nem descobrir o que era, mas iria até o mais perto que pudesse! Segui por carreiros de cabras enquanto a moto passou, até chegar a um portão. “Ok, mais uma propriedade privada!”

Pousei a moto, avancei a corrente que fazia de porta e fui caminhando pelos campos.

Ao olhar para trás podia ver a minha motita a ficar longe, perdida no meio do verde!

E lá estava ela, uma abadia em ruinas, imponente!

Então, quando estava a chegar perto… havia um riacho que não me deixava ir até ela..

Bolas… amuei, sentei-me por ali, tirei um milhão de fotos iguais umas às outras e fui embora.

Acabei por descobrir depois que se chama Abbey Ross, que pode ser visitada, mas não indo do lado que eu fui. É do séc. XV, é franciscana e é uma das ruinas mais bem conservadas da irlanda, do tempo em que a religião católica era oprimida na irlanda.

Bela bosta, a visitar será de uma outra vez…

Segui pelo mapa acima ainda por alguns quilómetros até Castlebar, sem ver nada de especial para além de ruínhas e ruelas encantadoras.

Parei para fazer um picnic num jardim muito bonito com direito a rio e tudo.

Com gente gira a passear os cachorros!

Então, quando já não pensava em mais nada senão no meu caminho lindo, na música nos meus ouvidos e no prazer de conduzir, uma torre redonda despertou-me do meu piloto automático!

Puxa, uma torre redonda!

O que eu gosto daquelas torres tão típicas por aquelas terras!

As Irish round towers são aquela coisa que eu apenas vira em livros e sites da internet e eu tinha previsto ver algumas, mas não ali, não naquele dia e estava ali uma! Wow!

Em irlandês chamam-se “Cloigthithe” o que quer dizer “torre do sino” e são torres medievais, lá pelos séc. IX e XII, o que as leva para o românico e não se tem muita certeza da sua finalidade, se eram mesmo sineiras, ou refugio protetor ou de vigia contra os Vikings.

Uma coisa é certa, estão sempre junto de igrejas e muitas vezes a sua presença ajuda a descobrir igrejas desaparecidas, basta procurar perto da torre que estarão lá as fundações!

Adorei aquele momento inesperado, voltei a sentar-me numa tumba e apreciei o momento, com a minha motita lá ao fundo na estrada a olhar para mim…

Logo ali à frente fiz amizade com uns meninos muito engraçados!

Gostaram de mim, chegaram-se perto e tudo. Fiquei a saber que gostam de chocolate, era tudo o que eu tinha e dei-lhes um bocadinho!

Cheguei a Ballina sem vontade alguma de visitar cidades ou ver gente! Chovia, as pessoas estavam encolhidas nas entradas das lojas e eu segui com uma ou duas fotos gerais do rio e mais nada!

E fui embora para casa, que naquele dia era em Galway.

E foi o fim do 8º dia de viagem…

9. Passeando por caminhos Celtas – até Galway passando pela Peninsula de Dingle!

4 de agosto de 2014

A frustração de andar à procura de algo e não encontrar aguçou o meu apetite e meu esprito teimoso!

Não que eu seja particularmente teimosa ou preocupada em cumprir programas, mas havia algo que eu queria ver desde mesmo antes de sair de casa e, andar tão perto, saber disso e não conseguir encontrar, arreliou-me um bocado. Eu não iria sair dali sem tentar de novo, por isso no dia anterior procurei a localização certa no Google maps, coloquei-a no Gps por toque, já que ele desconhecia o sítio, e fiz-me à estrada.

Naquele dia eu seguiria para Galway e decidi faze-lo percorrendo parte do caminho do dia anterior para tentar de novo…

Eu nem gosto de repetir caminhos por isso acabei por inventar um bocado, só para não fazer a mesma rua para o mesmo lugar! E ali a gente nunca se arrepende pois, mesmo que não haja nada de especial para ver, as casinhas comuns dos habitantes anónimos, são deliciosas!

Embora passasse em Clonakilty, que aquela hora da manhã estava calma e colorida que até apetecia ficar mais um pouco.

Logo a seguir, tal como eu suspeitara no dia anterior, voltava a sair das estradas nacionais e seguia pelas ruelas de risca ao meio para encontrar o que tanto procurava!

E lá estava ele: o Drombeg Stone Circle…

Escrevia eu na minha página do Facebbok:

“Eu ontem tinha-o procurado, mas sem sucesso! Muito carro na rua, muitas festas nas cidades foram-me distraindo do meu caminho e eu não consegui chegar até ele. Mas depois de bem estudado o caminho, voltei lá hoje! O Drombeg Stone Circle, também conhecido como The Druid’s Altar, era um dos sítios que eu queria muito visitar. Trata-se de um vestígio megalítico remarcável e de uma beleza impressionante, se pensarmos a quantas épocas sobreviveu, desde um passado tão distante. Senti-me verdadeiramente em frente a um altar: um altar da história da humanidade!”

Eu sentia como se pisasse solo sagrado… essa sensação percorrer-me-ia diversas vezes nesta viagem, porque os sítios funcionam como uma maquina do tempo ao contrario, fazendo chegar até nós coisas tão antigas que a nossa mente quase não consegue contabilizar o quanto!

E tudo está ali, ao alcance do toque das nossas mãos, como se muito natural fosse! E estamos na presença de construções com mais de 3000 anos!

Hoje a gente sabe e consegue reconhecer que ali ao lado era uma casa, e uma cozinha, construções posteriores ao círculo mas, a esta distância, parecem tão antigas como ele!

Fiquei por ali uma infinidade de tempo! Sentei-me num canto, onde o desnível formava um longo degrau de terra relvada, e desenhei!

Claro que não podia ficar ali o dia todo mas podia prolongar o prazer seguindo o meu caminho por ruínhas desertas mas ladeadas de casa espantosas! Continuei a confirmar que por aquele país se vive muito bem!

Casas que são mansões com grandes terrenos e relvados em redor, um espanto!

A natureza é encantadora e quando penso na Irlanda não consigo deixar de pensar que ela está por todo o lado, como na Escócia!

E ali parece que a natureza e a habitação estão sempre em harmonia!

Eu tinha de parar de fotografar as casas espantosas ou iria fotografar um milhão delas até sair do país, já que todas as casas são espantosas por lá!

Cortei a direito então pra me dirigir para Dingle e passei por Macroom. Havia tanta coisa para ver por ali mas eu iria seguir! Embora o tempo estivesse a ficar cinzento havia muita gente por ali,

Nem pensar em visitar o castelo!

Quando a paisagem natural me despertava muito mais interesse naqueles dias!

Mais um pouco e estava em Inse, tão pertinho de Dingle que se sentia!

Curioso como as pessoas aproveitam o tempo, se fosse cá, com o frio e aquelas nuvens não haveria ninguém na praia!

Curioso também era as pessoas levarem os carros até à areia!

E a península de Dingle é linda! Impossível seguir sem parar aqui e ali para ver a paisagem!

Eu sabia que as cabras eram alpinistas, mas as vacas? Não fazia ideia!

E lá estava o Gallarus Oratory, que me trouxera até ali!

Traduzido à letra o seu nome quer dizer “Igreja do Lugar dos Estrangeiros” é datado entre os séc. VI e IX e pensa-se que teria recebido peregrinos de fora da península.

Parece um barco de pernas para o ar e é uma construção dos primeiros cristãos da península, por isso era mais um solo sagrado que eu pisava!

Eu andava ali, de um lado para o outro, completamente fascinada com aquilo tudo!

Ao lado fica uma enorme sepultura a que chamam Tumulo do Gigante!

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E dali a paisagem ao longe também é encantadora! Afinal estava numa das penínsulas mais bonitas da ilha!

E, embora estivesse bastante longe do meu destino daquele dia, eu iria passear por ali com toda a calma, levando a moto por caminhos e carreiros até praias e enseadas…

Tudo é tão perfeito e intocado por ali!

Lá fui andando e parando uma infinidade de vezes!

Depois de dar a volta podia ver a praia onde estivera antes ao longe! Tudo parece pequeno comparando com a imensidão da paisagem!

Todo o condado de Kerry é espantoso, mas o West Kerry, aquela ponta da península que se forma ali, é algo de indescritível. Eu via os carros a seguirem pela estrada nacional, bem devagar, como quem olha a paisagem, mas não os segui! Meti por uma ruela estreitinha, que se foi afastando deles e descendo e aproximando do que eu queria ver.

Oh a paz que se sentia ali em baixo, sozinha eu e a minha moto, com as ovelhas a pastar placidamente logo abaixo e o mar!

A costa é recortada de uma forma abrupta e irregular, com o verde da relva a chegar tão perto que tudo parecia quase artificial! Senti uma alegria imensa… afinal estas paisagens existem no mundo real, não apenas nas imagens de “screensaver” em sites da net!

Senti-me imensamente agradecida e privilegiada, por poder estar ali sozinha, com todo o tempo do mundo ao meu dispor!

Até os bichitos convivem pacificamente com a gente, o que quer dizer que não estão habituados a ser maltratados pelo ser humano!

Os cursos de água têm o seu caminho traçado através da rua, pedras alinhadas formam o caminho que a água percorre, rompendo o alcatrão! Lindo!

E as casinhas de habitação a fazerem lembrar casinhas de duendes!

Toda a humidade no ar, gotículas que pareciam ser mais pesadas que o nevoeiro, acabaram por provocar arcos-íris, e quantos eu vi nesta viagem!?

E eis que sou despertada por uma voz que dizia “embarque no ferry” puxa, eu nem sabia mais que o meu Rafael sabia dizer essas coisas! Eu tinha-o programado para me levar para Galway, estava demasiado longe para me pôr a ler placas e a ver mapas, não contava que ele estivesse disponível para me levar a um ferry! E por ali há tantos!

Olhei as horas e os quilómetros, era tarde e se não fizesse o ferry teria o dobro do caminho pela frente! Siga para o ferry, poupemos 100km de estrada!

A minha bonequinha despertou muita atenção por entre os viajantes! Era a única no meio dos carros e roulottes!

o céu parecia que iria cair em cima de nós, com aquelas nuvens gigantescas e espetaculares!

E eu adorei o percurso de ferry, pois só nele eu pude apreciar momentos verdadeiramente mágicos entre nuvens que brincavam com o sol e o mar

Pequenos momentos de pausa e encantamento!

Depois veio a chuva e a noite eu fui para casa, que naquele dia era em Galway. A minha bonequinha dormiu num parque ali ao lado que me custou os olhos da cara…

e foi o fim do 7º dia de viagem!

8. Passeando por caminhos Celtas – o condado de Cork!

3 de agosto de 2014

Quanta alegria, o dia amanheceu com sol e eu acordei com vontade de devorar o mundo!

Rapei do meu livrinho, e de tudo o que havia para ver por ali nos meus estudos, e parti. Claro que mal a moto começa a rolar eu vou tendo mais noção do que me apetece realmente fazer e ver e, naquele dia, a vontade de ver gente foi diminuindo, à medida que ía entrando nas cidades e tudo estava cheio de festa, turistas e multidões… ok, nem era assim tanta multidão, mas quando a gente não quer ver gente, mais que 4 ou 5 pessoas já chateia!

Enfim, tinha o condado de Cork ao meu dispor e tanta coisa para ver nele!

Uma coisa curiosa e que me agradou foi a cor das casas, poucas têm cores banais e mortiças como cá. Usam-se frequentemente cores quentes e berrantes, o que dá um ar de festa permanente a cada rua! Kinsale foi a primeira a “ferir” os meus olhos!

Mesmo as casas com cores mais “normais” ajudam a alegria cromática do ambiente!

Depois os estabelecimentos, bares, lojas e hotéis, são frequentemente muito enfeitados, com fachadas de madeira pintada e/ou bandeiras e flores!

Logo ali fica o mar, que está quase por todo o lado, com recortes e braços de água a todo o momento, afinal eu estava a contornar o condado pela costa, percorria a West Cork Coastal Route!

E as perspetivas de mar e lagos que fui encontrando eram espantosas!

Então depois do rio Arigideen ficava uma ruina que me prendeu tanto a atenção! A Timoleague Abbey…

Estas coisas sempre têm um grande impacto sobre mim! Uma abadia em ruinas, é como a carcaça de uma história cheia de segredos. Eu tinha de vê-la por dentro e o que me esperava apenas completou a sensação.

É frequente encontrar igrejas e abadias em ruinas que se foram transformando em cemitérios no Reino Unido e por ali não é diferente!

Oh, as cruzes celtas eram espantosas…

Eu queria mesmo fazer uma pequena coleção de cruzes e não ficaria desiludida porque por aquele país elas estão por todos os lados sempre diferentes, sempre espantosas!

A Abadia é do séc. XII e, depois de séculos de história, foi destruída pelos soldados ingleses na época da reforma (séc. XVI) e, embora tenha continuado a ser habitada pelos monges, voltou a ser destruída pelos ingleses uns anos depois quando, não só ela mas também a toda a cidade, foi queimada, de novo pelos ingleses, e assim ficou até hoje…

Acho sempre curioso como as populações vão preenchendo os espaços das igrejas arruinadas com túmulos, por todos os lados, sem qualquer ordem ou sentido.

E, quer se queira ou não, há momentos muito cinematográficos nestes locais! Visitar cemitérios nunca me assusta minimamente, apenas me provoca sensações que vão desde o respeito, até à simples curiosidade, como uma visita ao passado e ao sentido que cada povo dá à morte dos seus! O corvo, num cemitério, tão quietinho, foi o momento magico que se completou definitivamente!

Não consigo deixar de catar todos os recantos de uma coisa daquelas!

Mais à frente fica Clonakilty, Clon para os amigos, e a Church of the Immaculate Conception chamou-me a atenção. Fica num ponto elevado e é imponente!

Havia gente a chegar de carro, com pessoas de idade e dificuldade em andar, que ficaram a olhar para mim.

Claro que quando olham para nós, nós tendemos a olhar de volta, então uma velhinha fez-me sinal para entrar na igreja, e eu entrei!

É muito bonita!

É do final do séc. XIX é neogótica (eu bem digo que naquele país parece que tudo é neo-qualquer coisa!)

E continuei o meu caminho para Baltimore

Naquele momento eu já estava a ficar farta de cidades e casas e pessoas! As localidades começavam a ficar cheias de gente e eu estava a ter uma crise antissocial, por isso comecei a sair das ruas mais largas e a fazer as ruínhas que tanto adoro.

Na realidade eu estava desiludida porque andava à procura de um sitio celta e não o consegui encontrar..

Por isso olhei para Baltimore de longe, onde a confusão e os turistas, banhistas e canoístas não podiam perturbar o meu sossego, e soube-me muito bem essa distância!

E foi quando parei e processei que não queria de todo andar de cidade em cidade! Eu queria fazer caminhos solitários, ruas cheias de curvas, ver paisagens únicas e silenciosas, onde apenas o som do motor da minha moto se ouvisse!

Olhei para o GPS e procurei uma rua cheia de curvas por ali e segui pela que me parecia ir mais para longe… não me arrependi!

Escrevia eu:

“E quando a multidão está por todas as cidades eu subo ao monte, onde não há ninguém para além de mim, a rua que é quase um caminho, e as ovelhas! Estava no sul da Irlanda e não queria mesmo andar no meio das pessoas, olhei para a imagem de estrada do GPS e percebi que havia ali uma estradinha que podia ser interessante, apontava para o monte! À medida que me ia afastando do turismo ia-me embrenhando no mundo dos locais, que me saudavam ao passar com surpresa. Gente simpática aquela! Alguns sorriam, não sei se pensando que eu era louca ou inteligente, pois as paisagens que me esperavam lá em cima superavam qualquer encanto citadino lá de baixo!”

Tudo era tão bonito por ali como incerto! Momentos houve em que eu nem sabia se o alcatrão continuava ou acabaria a qualquer momento, com a agravante de que a cada subida e descida eu simplesmente deixava de ver a ruínha e, por isso, nem sabia o que vinha a seguir!

E quanto mais estreita era a ruela, mais ingreme e pior era o piso, mais bonita era a paisagem!

Até que o encanto se foi quebrando, quando comecei a aproximar-me das populações de novo…

Mas a beleza não tinha de desparecer só porque chegara à população!

Bem pelo contrário! Voltei a parar para curtir um pouco do que me rodeava! Acho que foi o que mais fiz nesta viagem: parar para curtir momentos!

As casas por aquele país fora é que me surpreenderam! Há casas, vivendas, por todos os lados! Parece que não há sequer casas degradadas, como se toda a gente vivesse muito bem!

Em todos os meus caminhos casas de sonho era tudo o que eu encontrava, mesmo no meio de lado nenhum, depois de ruelas mínimas!

Vive-se assim tão bem na Irlanda? Então o país não foi resgatado como o nosso e tudo? Não entendi, mas vou estudar o caso!

E eles sabem escolher onde pôr as suas casas!

A aproximação a Sneem assustou-me! Ali parece que todas as cidades são do topo “risca ao meio” e a rua principal estava cheia de carros e gente a comer e conversar nas esplanadas! Era um ambiente de festa fantástico, mas eu queria tudo menos festa naquele momento!

Por isso passei, espantei olhos, e segui!

Porque havia tanta coisa bonita para ver, sem ser gente a bebericar em esplanadas!

The Ring of Kerry é algo a não perder..

Aproximava-me de Cahersiveen e não queria muito ver mais cidade nenhuma…

As paisagens enchiam-me de encanto e era tudo o que eu queria naquele momento!

Cada enquadramento era mais espantoso do que o outro e variando sempre, entre terra e mar, ao ponto de eu seguir esperando uma surpresa a cada curva do caminho!

Por isso quando Cahersiveen apareceu atravessei-a de uma vez só, sem parar e só parei do outro lado junto da escultura Skellig Monks – ou St. Brendon’s Voyage Sculpture, uma escultura muito interessante com 4 monges num barco em meia-lua, que lembra a viagem dos monges do mosteiro de Skellig Michael pela costa da Irlanda. Eu não visitei o mosteiro e “só por isso” terei de voltar à irlanda. É uma coisa espantosa a não perder, fica numa ilha e é tão antigo (séc VI) e lindo que será de cortar a respiração.

Naquele momento eu parei, olhei para a escultura e decidi: “não hoje, não desta vez, mas eu quero visitar o mosteiro!”

Olhei em volta e a cidade não me atraia, estava cheia de gente, o mosteiro não podia ser visitado naquele dia…

A paisagem atraia-me mais que tudo, por isso segui para Cork por caminhos diferentes, que eu não gosto muito de voltar pelo mesmo lugar!

E o mar voltou a encantar-me e fazer-me parar vezes sem conta!

Que lindo dia foi aquele, que estradinhas deliciosas, que paisagens espantosas!

Voltei para Cork, onde ainda seria a minha casa naquele dia e foi o fim do meu 6º dia de viagem!

7. Passeando por caminhos Celtas – uma longa noite… até à Irlanda!

Há noites tão longas…

Mas aquela noite acabou por me reservar momentos interessantes! Afinal eu não passaria a noite por ali, estendida num sofá do bar, sozinha! Na realidade uma infinidade de pessoas se preparava para passar a noite por ali também! Fantástico! Fui vendo uns e outros puxarem inclusive de almofadas e cobertores.

Eu apenas tinha tratado do lanche, achei que fazer tantas horas mal acomodada, só poderia ser menos penoso se tivesse o que comer. Por isso no meu saco de capacete tinha o meu portátil, 2 dos meus livrinhos de desenho e um lanche composto só por “porcarias” que me dessem prazer comer.

Entretanto os lugares estavam todos a ficar ocupados por imensa gente que se estendia por aqui e por ali.

Uma rapariga muito simpática veio perguntar-me se eu lhe dava um pouco do meu sofá para ela se sentar. Mas havia tanto espaço! Então ela explicou que quando nos deitássemos todo o espaço seria pouco! Fizemos amizade. Era francesa e pensava que eu também era! Aliás, eu devia estar com um ar muito estrangeiro porque naquela noite perguntaram-me 3 vezes se eu era inglesa e 2 se eu era francesa!

As minhas vizinhas, no longo sofá que contornava todo o espaço do bar, eram enormes! Passaram boa parte do tempo a maquilhar-se, a pintar as unhas e a olhar para pequenos espelhos… mas continuavam meio monstruosas! É sempre curioso ver mulheres maquilharem-se em público, sobretudo quando a seguir estarão a dormitar desconfortavelmente nos seus assentos.

Não tive coragem de tirar fotos ao ambiente e às vizinhas monstruosas mas desenhei-as à socapa! Alguns desenhos ficaram engraçados sabendo que foram feitos em menos que pouco tempo, entre uma olhadela de uma e uma espreitadela de outra! Eheheh

2 deles:

Aquele amanhecer tardou tanto… como se as horas nunca passassem…

2 de agosto de 2014

Mas mal deu sinal de vida, pôs-se dia num instante! E não foram 16 horas, como eu sempre disse, foram 17, porque a hora na Irlanda é igual à de Portugal, logo ao desembarcar às 12.00h completavam-se as 17 horas de viagem…

O tempo estava cinzento lá fora, na Irlanda!

Lá em baixo no porão, a minha moto tinha ficado rodeada por outras motos. Eu teria de esperar que todos saíssem para sair eu… e eles eram uns aselhas! O tempo que aquela gente demorou a preparar-se e a dificuldade que mostravam em manobrar as motos naquele piso, surpreendeu-me! Cruzes, eu não podia acreditar naquilo!

Acabei por tirar a minha moto (que era a maior e a mais pesada) manobrando-a por entre as outras ou acho que ainda lá estaria à espera para sair. A verdade é que sai sozinha do barco, sem que nenhuma moto me seguisse! Valha-me Deus, apetecia perguntar como tinham chegado até ali com tantos receios!

Lá fora o mau tempo esperava-me e à medida que saia do porto, finalmente 2 ou 3 motos já eram visíveis lá atrás.

Desatei a conduzir à esquerda como se o tivesse feito por toda a minha vida! Curioso que, da última vez, que era a primeira vez que conduzia à esquerda, custou-me muito adaptar-me, o meu cérebro dava uma volta a todo o momento, em cada cruzamento, em cada ultrapassagem. Desta vez foi pacífico, mesmo com o vento forte e a chuva intensa, nada me perturbou!

Fez-me lembrar a primeira vez que fui a Marrocos e andei de camelo, custou-me tanto, não conseguia relaxar nem sequer pensar em retirar as mãos o suporte onde me agarrava com toda a força e, no ano seguinte, tudo foi fácil e até andava “sem mãos” tirando fotos ao mesmo tempo! Acho que uma vez que o meu cérebro se adapte, conseguirá funcionar de novo a cada momento!

Com aquele tempo nem valia a pena parar em lado nenhum, por isso fui direta para Cork, para o hostel.

O tempo estava bem melhor por ali, por isso depois de largar a top-case, fui ver um pouco da cidade.

Cork é a segunda maior cidade da Republica da Irlanda! É uma cidade interessante e, aparentemente cheia d igrejas!

Desta vez eu não tinha muita vontade de ver catedrais, não era essa a minha finalidade, por isso, a maior parte das vezes, bastar-me-ia vê-las por fora, como a St. Fin Barre’s Cathedral. Eu sei que ela é linda e tal, é relativamente recente, em estilo neogótico, lá do fim do séc. XIX. Claro que se fosse mesmo gótica eu provavelmente não lhe teria resistido e teria voltado para a ver por dentro! Que fazer, são paixões que tenho!

Assim só andei por ali a ver todo por fora, casas, igrejas, ruas!

Acho que tantas horas dentro de um ferry, esticada num sofá, reavivou a grande vontade que eu tinha de conduzir, mais do que de andar!

Ou outro lado do rio Lee, mais uma grande igreja, a Holy Trinity Church!

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Mas será que por ali todas as igrejas são neo-qualquer coisa? Os revivalismos na arquitetura singraram na cidade e ali estava um exemplar neogótico, que também não visitei por dentro!

Pode ser que, de uma próxima visita à Irlanda, eu vá mais disposta a ver igrejas e as vá ver todas por dentro, naquele momento só me apetecia passear de moto pela cidade. O sol preparava-se para descer e, subindo a uma colina ali ao lado, eu fui vê-lo, relaxar e fazer um picnic com uma belíssima paisagem. Afinal eu estava finalmente na Irlanda, um país mítico para mim e queria que o meu primeiro entardecer fosse mítico também!

Ao voltar para o hostel fiz amizade com uma francesa muito simpática, fartamo-nos de conversar, ela tinha saudades de falar a sua língua depois de uma visita a solo pela Irlanda, por isso foi só tagarelar.

Ela, como eu, viajando sozinha nunca ia a um bar à noite, mas juntas era outra coisa!

Ela também é professora, de biologia! Muito interessante falar com gente boa e inteligente!

Passeamos um pouco pela cidade, ficando combinado que, quando eu passasse em França, na sua zona, teríamos de nos encontrar de novo!

E finalmente eu iria dormir uma noite decentemente deitada numa cama confortável, com cobertores e lençóis e tudo, numa casa vitoriana, com um jardim muito bonito!

E foi o fim do meu 5º dia de viagem…