9. Passeando por caminhos Celtas – até Galway passando pela Peninsula de Dingle!

4 de agosto de 2014

A frustração de andar à procura de algo e não encontrar aguçou o meu apetite e meu esprito teimoso!

Não que eu seja particularmente teimosa ou preocupada em cumprir programas, mas havia algo que eu queria ver desde mesmo antes de sair de casa e, andar tão perto, saber disso e não conseguir encontrar, arreliou-me um bocado. Eu não iria sair dali sem tentar de novo, por isso no dia anterior procurei a localização certa no Google maps, coloquei-a no Gps por toque, já que ele desconhecia o sítio, e fiz-me à estrada.

Naquele dia eu seguiria para Galway e decidi faze-lo percorrendo parte do caminho do dia anterior para tentar de novo…

Eu nem gosto de repetir caminhos por isso acabei por inventar um bocado, só para não fazer a mesma rua para o mesmo lugar! E ali a gente nunca se arrepende pois, mesmo que não haja nada de especial para ver, as casinhas comuns dos habitantes anónimos, são deliciosas!

Embora passasse em Clonakilty, que aquela hora da manhã estava calma e colorida que até apetecia ficar mais um pouco.

Logo a seguir, tal como eu suspeitara no dia anterior, voltava a sair das estradas nacionais e seguia pelas ruelas de risca ao meio para encontrar o que tanto procurava!

E lá estava ele: o Drombeg Stone Circle…

Escrevia eu na minha página do Facebbok:

“Eu ontem tinha-o procurado, mas sem sucesso! Muito carro na rua, muitas festas nas cidades foram-me distraindo do meu caminho e eu não consegui chegar até ele. Mas depois de bem estudado o caminho, voltei lá hoje! O Drombeg Stone Circle, também conhecido como The Druid’s Altar, era um dos sítios que eu queria muito visitar. Trata-se de um vestígio megalítico remarcável e de uma beleza impressionante, se pensarmos a quantas épocas sobreviveu, desde um passado tão distante. Senti-me verdadeiramente em frente a um altar: um altar da história da humanidade!”

Eu sentia como se pisasse solo sagrado… essa sensação percorrer-me-ia diversas vezes nesta viagem, porque os sítios funcionam como uma maquina do tempo ao contrario, fazendo chegar até nós coisas tão antigas que a nossa mente quase não consegue contabilizar o quanto!

E tudo está ali, ao alcance do toque das nossas mãos, como se muito natural fosse! E estamos na presença de construções com mais de 3000 anos!

Hoje a gente sabe e consegue reconhecer que ali ao lado era uma casa, e uma cozinha, construções posteriores ao círculo mas, a esta distância, parecem tão antigas como ele!

Fiquei por ali uma infinidade de tempo! Sentei-me num canto, onde o desnível formava um longo degrau de terra relvada, e desenhei!

Claro que não podia ficar ali o dia todo mas podia prolongar o prazer seguindo o meu caminho por ruínhas desertas mas ladeadas de casa espantosas! Continuei a confirmar que por aquele país se vive muito bem!

Casas que são mansões com grandes terrenos e relvados em redor, um espanto!

A natureza é encantadora e quando penso na Irlanda não consigo deixar de pensar que ela está por todo o lado, como na Escócia!

E ali parece que a natureza e a habitação estão sempre em harmonia!

Eu tinha de parar de fotografar as casas espantosas ou iria fotografar um milhão delas até sair do país, já que todas as casas são espantosas por lá!

Cortei a direito então pra me dirigir para Dingle e passei por Macroom. Havia tanta coisa para ver por ali mas eu iria seguir! Embora o tempo estivesse a ficar cinzento havia muita gente por ali,

Nem pensar em visitar o castelo!

Quando a paisagem natural me despertava muito mais interesse naqueles dias!

Mais um pouco e estava em Inse, tão pertinho de Dingle que se sentia!

Curioso como as pessoas aproveitam o tempo, se fosse cá, com o frio e aquelas nuvens não haveria ninguém na praia!

Curioso também era as pessoas levarem os carros até à areia!

E a península de Dingle é linda! Impossível seguir sem parar aqui e ali para ver a paisagem!

Eu sabia que as cabras eram alpinistas, mas as vacas? Não fazia ideia!

E lá estava o Gallarus Oratory, que me trouxera até ali!

Traduzido à letra o seu nome quer dizer “Igreja do Lugar dos Estrangeiros” é datado entre os séc. VI e IX e pensa-se que teria recebido peregrinos de fora da península.

Parece um barco de pernas para o ar e é uma construção dos primeiros cristãos da península, por isso era mais um solo sagrado que eu pisava!

Eu andava ali, de um lado para o outro, completamente fascinada com aquilo tudo!

Ao lado fica uma enorme sepultura a que chamam Tumulo do Gigante!

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E dali a paisagem ao longe também é encantadora! Afinal estava numa das penínsulas mais bonitas da ilha!

E, embora estivesse bastante longe do meu destino daquele dia, eu iria passear por ali com toda a calma, levando a moto por caminhos e carreiros até praias e enseadas…

Tudo é tão perfeito e intocado por ali!

Lá fui andando e parando uma infinidade de vezes!

Depois de dar a volta podia ver a praia onde estivera antes ao longe! Tudo parece pequeno comparando com a imensidão da paisagem!

Todo o condado de Kerry é espantoso, mas o West Kerry, aquela ponta da península que se forma ali, é algo de indescritível. Eu via os carros a seguirem pela estrada nacional, bem devagar, como quem olha a paisagem, mas não os segui! Meti por uma ruela estreitinha, que se foi afastando deles e descendo e aproximando do que eu queria ver.

Oh a paz que se sentia ali em baixo, sozinha eu e a minha moto, com as ovelhas a pastar placidamente logo abaixo e o mar!

A costa é recortada de uma forma abrupta e irregular, com o verde da relva a chegar tão perto que tudo parecia quase artificial! Senti uma alegria imensa… afinal estas paisagens existem no mundo real, não apenas nas imagens de “screensaver” em sites da net!

Senti-me imensamente agradecida e privilegiada, por poder estar ali sozinha, com todo o tempo do mundo ao meu dispor!

Até os bichitos convivem pacificamente com a gente, o que quer dizer que não estão habituados a ser maltratados pelo ser humano!

Os cursos de água têm o seu caminho traçado através da rua, pedras alinhadas formam o caminho que a água percorre, rompendo o alcatrão! Lindo!

E as casinhas de habitação a fazerem lembrar casinhas de duendes!

Toda a humidade no ar, gotículas que pareciam ser mais pesadas que o nevoeiro, acabaram por provocar arcos-íris, e quantos eu vi nesta viagem!?

E eis que sou despertada por uma voz que dizia “embarque no ferry” puxa, eu nem sabia mais que o meu Rafael sabia dizer essas coisas! Eu tinha-o programado para me levar para Galway, estava demasiado longe para me pôr a ler placas e a ver mapas, não contava que ele estivesse disponível para me levar a um ferry! E por ali há tantos!

Olhei as horas e os quilómetros, era tarde e se não fizesse o ferry teria o dobro do caminho pela frente! Siga para o ferry, poupemos 100km de estrada!

A minha bonequinha despertou muita atenção por entre os viajantes! Era a única no meio dos carros e roulottes!

o céu parecia que iria cair em cima de nós, com aquelas nuvens gigantescas e espetaculares!

E eu adorei o percurso de ferry, pois só nele eu pude apreciar momentos verdadeiramente mágicos entre nuvens que brincavam com o sol e o mar

Pequenos momentos de pausa e encantamento!

Depois veio a chuva e a noite eu fui para casa, que naquele dia era em Galway. A minha bonequinha dormiu num parque ali ao lado que me custou os olhos da cara…

e foi o fim do 7º dia de viagem!

8. Passeando por caminhos Celtas – o condado de Cork!

3 de agosto de 2014

Quanta alegria, o dia amanheceu com sol e eu acordei com vontade de devorar o mundo!

Rapei do meu livrinho, e de tudo o que havia para ver por ali nos meus estudos, e parti. Claro que mal a moto começa a rolar eu vou tendo mais noção do que me apetece realmente fazer e ver e, naquele dia, a vontade de ver gente foi diminuindo, à medida que ía entrando nas cidades e tudo estava cheio de festa, turistas e multidões… ok, nem era assim tanta multidão, mas quando a gente não quer ver gente, mais que 4 ou 5 pessoas já chateia!

Enfim, tinha o condado de Cork ao meu dispor e tanta coisa para ver nele!

Uma coisa curiosa e que me agradou foi a cor das casas, poucas têm cores banais e mortiças como cá. Usam-se frequentemente cores quentes e berrantes, o que dá um ar de festa permanente a cada rua! Kinsale foi a primeira a “ferir” os meus olhos!

Mesmo as casas com cores mais “normais” ajudam a alegria cromática do ambiente!

Depois os estabelecimentos, bares, lojas e hotéis, são frequentemente muito enfeitados, com fachadas de madeira pintada e/ou bandeiras e flores!

Logo ali fica o mar, que está quase por todo o lado, com recortes e braços de água a todo o momento, afinal eu estava a contornar o condado pela costa, percorria a West Cork Coastal Route!

E as perspetivas de mar e lagos que fui encontrando eram espantosas!

Então depois do rio Arigideen ficava uma ruina que me prendeu tanto a atenção! A Timoleague Abbey…

Estas coisas sempre têm um grande impacto sobre mim! Uma abadia em ruinas, é como a carcaça de uma história cheia de segredos. Eu tinha de vê-la por dentro e o que me esperava apenas completou a sensação.

É frequente encontrar igrejas e abadias em ruinas que se foram transformando em cemitérios no Reino Unido e por ali não é diferente!

Oh, as cruzes celtas eram espantosas…

Eu queria mesmo fazer uma pequena coleção de cruzes e não ficaria desiludida porque por aquele país elas estão por todos os lados sempre diferentes, sempre espantosas!

A Abadia é do séc. XII e, depois de séculos de história, foi destruída pelos soldados ingleses na época da reforma (séc. XVI) e, embora tenha continuado a ser habitada pelos monges, voltou a ser destruída pelos ingleses uns anos depois quando, não só ela mas também a toda a cidade, foi queimada, de novo pelos ingleses, e assim ficou até hoje…

Acho sempre curioso como as populações vão preenchendo os espaços das igrejas arruinadas com túmulos, por todos os lados, sem qualquer ordem ou sentido.

E, quer se queira ou não, há momentos muito cinematográficos nestes locais! Visitar cemitérios nunca me assusta minimamente, apenas me provoca sensações que vão desde o respeito, até à simples curiosidade, como uma visita ao passado e ao sentido que cada povo dá à morte dos seus! O corvo, num cemitério, tão quietinho, foi o momento magico que se completou definitivamente!

Não consigo deixar de catar todos os recantos de uma coisa daquelas!

Mais à frente fica Clonakilty, Clon para os amigos, e a Church of the Immaculate Conception chamou-me a atenção. Fica num ponto elevado e é imponente!

Havia gente a chegar de carro, com pessoas de idade e dificuldade em andar, que ficaram a olhar para mim.

Claro que quando olham para nós, nós tendemos a olhar de volta, então uma velhinha fez-me sinal para entrar na igreja, e eu entrei!

É muito bonita!

É do final do séc. XIX é neogótica (eu bem digo que naquele país parece que tudo é neo-qualquer coisa!)

E continuei o meu caminho para Baltimore

Naquele momento eu já estava a ficar farta de cidades e casas e pessoas! As localidades começavam a ficar cheias de gente e eu estava a ter uma crise antissocial, por isso comecei a sair das ruas mais largas e a fazer as ruínhas que tanto adoro.

Na realidade eu estava desiludida porque andava à procura de um sitio celta e não o consegui encontrar..

Por isso olhei para Baltimore de longe, onde a confusão e os turistas, banhistas e canoístas não podiam perturbar o meu sossego, e soube-me muito bem essa distância!

E foi quando parei e processei que não queria de todo andar de cidade em cidade! Eu queria fazer caminhos solitários, ruas cheias de curvas, ver paisagens únicas e silenciosas, onde apenas o som do motor da minha moto se ouvisse!

Olhei para o GPS e procurei uma rua cheia de curvas por ali e segui pela que me parecia ir mais para longe… não me arrependi!

Escrevia eu:

“E quando a multidão está por todas as cidades eu subo ao monte, onde não há ninguém para além de mim, a rua que é quase um caminho, e as ovelhas! Estava no sul da Irlanda e não queria mesmo andar no meio das pessoas, olhei para a imagem de estrada do GPS e percebi que havia ali uma estradinha que podia ser interessante, apontava para o monte! À medida que me ia afastando do turismo ia-me embrenhando no mundo dos locais, que me saudavam ao passar com surpresa. Gente simpática aquela! Alguns sorriam, não sei se pensando que eu era louca ou inteligente, pois as paisagens que me esperavam lá em cima superavam qualquer encanto citadino lá de baixo!”

Tudo era tão bonito por ali como incerto! Momentos houve em que eu nem sabia se o alcatrão continuava ou acabaria a qualquer momento, com a agravante de que a cada subida e descida eu simplesmente deixava de ver a ruínha e, por isso, nem sabia o que vinha a seguir!

E quanto mais estreita era a ruela, mais ingreme e pior era o piso, mais bonita era a paisagem!

Até que o encanto se foi quebrando, quando comecei a aproximar-me das populações de novo…

Mas a beleza não tinha de desparecer só porque chegara à população!

Bem pelo contrário! Voltei a parar para curtir um pouco do que me rodeava! Acho que foi o que mais fiz nesta viagem: parar para curtir momentos!

As casas por aquele país fora é que me surpreenderam! Há casas, vivendas, por todos os lados! Parece que não há sequer casas degradadas, como se toda a gente vivesse muito bem!

Em todos os meus caminhos casas de sonho era tudo o que eu encontrava, mesmo no meio de lado nenhum, depois de ruelas mínimas!

Vive-se assim tão bem na Irlanda? Então o país não foi resgatado como o nosso e tudo? Não entendi, mas vou estudar o caso!

E eles sabem escolher onde pôr as suas casas!

A aproximação a Sneem assustou-me! Ali parece que todas as cidades são do topo “risca ao meio” e a rua principal estava cheia de carros e gente a comer e conversar nas esplanadas! Era um ambiente de festa fantástico, mas eu queria tudo menos festa naquele momento!

Por isso passei, espantei olhos, e segui!

Porque havia tanta coisa bonita para ver, sem ser gente a bebericar em esplanadas!

The Ring of Kerry é algo a não perder..

Aproximava-me de Cahersiveen e não queria muito ver mais cidade nenhuma…

As paisagens enchiam-me de encanto e era tudo o que eu queria naquele momento!

Cada enquadramento era mais espantoso do que o outro e variando sempre, entre terra e mar, ao ponto de eu seguir esperando uma surpresa a cada curva do caminho!

Por isso quando Cahersiveen apareceu atravessei-a de uma vez só, sem parar e só parei do outro lado junto da escultura Skellig Monks – ou St. Brendon’s Voyage Sculpture, uma escultura muito interessante com 4 monges num barco em meia-lua, que lembra a viagem dos monges do mosteiro de Skellig Michael pela costa da Irlanda. Eu não visitei o mosteiro e “só por isso” terei de voltar à irlanda. É uma coisa espantosa a não perder, fica numa ilha e é tão antigo (séc VI) e lindo que será de cortar a respiração.

Naquele momento eu parei, olhei para a escultura e decidi: “não hoje, não desta vez, mas eu quero visitar o mosteiro!”

Olhei em volta e a cidade não me atraia, estava cheia de gente, o mosteiro não podia ser visitado naquele dia…

A paisagem atraia-me mais que tudo, por isso segui para Cork por caminhos diferentes, que eu não gosto muito de voltar pelo mesmo lugar!

E o mar voltou a encantar-me e fazer-me parar vezes sem conta!

Que lindo dia foi aquele, que estradinhas deliciosas, que paisagens espantosas!

Voltei para Cork, onde ainda seria a minha casa naquele dia e foi o fim do meu 6º dia de viagem!

7. Passeando por caminhos Celtas – uma longa noite… até à Irlanda!

Há noites tão longas…

Mas aquela noite acabou por me reservar momentos interessantes! Afinal eu não passaria a noite por ali, estendida num sofá do bar, sozinha! Na realidade uma infinidade de pessoas se preparava para passar a noite por ali também! Fantástico! Fui vendo uns e outros puxarem inclusive de almofadas e cobertores.

Eu apenas tinha tratado do lanche, achei que fazer tantas horas mal acomodada, só poderia ser menos penoso se tivesse o que comer. Por isso no meu saco de capacete tinha o meu portátil, 2 dos meus livrinhos de desenho e um lanche composto só por “porcarias” que me dessem prazer comer.

Entretanto os lugares estavam todos a ficar ocupados por imensa gente que se estendia por aqui e por ali.

Uma rapariga muito simpática veio perguntar-me se eu lhe dava um pouco do meu sofá para ela se sentar. Mas havia tanto espaço! Então ela explicou que quando nos deitássemos todo o espaço seria pouco! Fizemos amizade. Era francesa e pensava que eu também era! Aliás, eu devia estar com um ar muito estrangeiro porque naquela noite perguntaram-me 3 vezes se eu era inglesa e 2 se eu era francesa!

As minhas vizinhas, no longo sofá que contornava todo o espaço do bar, eram enormes! Passaram boa parte do tempo a maquilhar-se, a pintar as unhas e a olhar para pequenos espelhos… mas continuavam meio monstruosas! É sempre curioso ver mulheres maquilharem-se em público, sobretudo quando a seguir estarão a dormitar desconfortavelmente nos seus assentos.

Não tive coragem de tirar fotos ao ambiente e às vizinhas monstruosas mas desenhei-as à socapa! Alguns desenhos ficaram engraçados sabendo que foram feitos em menos que pouco tempo, entre uma olhadela de uma e uma espreitadela de outra! Eheheh

2 deles:

Aquele amanhecer tardou tanto… como se as horas nunca passassem…

2 de agosto de 2014

Mas mal deu sinal de vida, pôs-se dia num instante! E não foram 16 horas, como eu sempre disse, foram 17, porque a hora na Irlanda é igual à de Portugal, logo ao desembarcar às 12.00h completavam-se as 17 horas de viagem…

O tempo estava cinzento lá fora, na Irlanda!

Lá em baixo no porão, a minha moto tinha ficado rodeada por outras motos. Eu teria de esperar que todos saíssem para sair eu… e eles eram uns aselhas! O tempo que aquela gente demorou a preparar-se e a dificuldade que mostravam em manobrar as motos naquele piso, surpreendeu-me! Cruzes, eu não podia acreditar naquilo!

Acabei por tirar a minha moto (que era a maior e a mais pesada) manobrando-a por entre as outras ou acho que ainda lá estaria à espera para sair. A verdade é que sai sozinha do barco, sem que nenhuma moto me seguisse! Valha-me Deus, apetecia perguntar como tinham chegado até ali com tantos receios!

Lá fora o mau tempo esperava-me e à medida que saia do porto, finalmente 2 ou 3 motos já eram visíveis lá atrás.

Desatei a conduzir à esquerda como se o tivesse feito por toda a minha vida! Curioso que, da última vez, que era a primeira vez que conduzia à esquerda, custou-me muito adaptar-me, o meu cérebro dava uma volta a todo o momento, em cada cruzamento, em cada ultrapassagem. Desta vez foi pacífico, mesmo com o vento forte e a chuva intensa, nada me perturbou!

Fez-me lembrar a primeira vez que fui a Marrocos e andei de camelo, custou-me tanto, não conseguia relaxar nem sequer pensar em retirar as mãos o suporte onde me agarrava com toda a força e, no ano seguinte, tudo foi fácil e até andava “sem mãos” tirando fotos ao mesmo tempo! Acho que uma vez que o meu cérebro se adapte, conseguirá funcionar de novo a cada momento!

Com aquele tempo nem valia a pena parar em lado nenhum, por isso fui direta para Cork, para o hostel.

O tempo estava bem melhor por ali, por isso depois de largar a top-case, fui ver um pouco da cidade.

Cork é a segunda maior cidade da Republica da Irlanda! É uma cidade interessante e, aparentemente cheia d igrejas!

Desta vez eu não tinha muita vontade de ver catedrais, não era essa a minha finalidade, por isso, a maior parte das vezes, bastar-me-ia vê-las por fora, como a St. Fin Barre’s Cathedral. Eu sei que ela é linda e tal, é relativamente recente, em estilo neogótico, lá do fim do séc. XIX. Claro que se fosse mesmo gótica eu provavelmente não lhe teria resistido e teria voltado para a ver por dentro! Que fazer, são paixões que tenho!

Assim só andei por ali a ver todo por fora, casas, igrejas, ruas!

Acho que tantas horas dentro de um ferry, esticada num sofá, reavivou a grande vontade que eu tinha de conduzir, mais do que de andar!

Ou outro lado do rio Lee, mais uma grande igreja, a Holy Trinity Church!

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Mas será que por ali todas as igrejas são neo-qualquer coisa? Os revivalismos na arquitetura singraram na cidade e ali estava um exemplar neogótico, que também não visitei por dentro!

Pode ser que, de uma próxima visita à Irlanda, eu vá mais disposta a ver igrejas e as vá ver todas por dentro, naquele momento só me apetecia passear de moto pela cidade. O sol preparava-se para descer e, subindo a uma colina ali ao lado, eu fui vê-lo, relaxar e fazer um picnic com uma belíssima paisagem. Afinal eu estava finalmente na Irlanda, um país mítico para mim e queria que o meu primeiro entardecer fosse mítico também!

Ao voltar para o hostel fiz amizade com uma francesa muito simpática, fartamo-nos de conversar, ela tinha saudades de falar a sua língua depois de uma visita a solo pela Irlanda, por isso foi só tagarelar.

Ela, como eu, viajando sozinha nunca ia a um bar à noite, mas juntas era outra coisa!

Ela também é professora, de biologia! Muito interessante falar com gente boa e inteligente!

Passeamos um pouco pela cidade, ficando combinado que, quando eu passasse em França, na sua zona, teríamos de nos encontrar de novo!

E finalmente eu iria dormir uma noite decentemente deitada numa cama confortável, com cobertores e lençóis e tudo, numa casa vitoriana, com um jardim muito bonito!

E foi o fim do meu 5º dia de viagem…

6. Passeando por caminhos Celtas – a Basse-Normandie, o dia do… embarque!

1 de agosto de 2014

Trezentos e tal quilómetros até Cherbourg para apanhar o ferry às 4 da tarde, não há que stressar! É subir calmamente o que resta do país, dar uma vista de olhos numa terrinha ou outra que apareçam no meu caminho e estar lá uma hora antes, para descobrir onde é o porto e embarcar!

Assim despedi-me calmamente de Daon, aquele recanto tão fofinho onde me diverti um bocado.

E segui para norte

passando por Fougères, onde já tinha passado aquando da minha ultima visita ao Reino Unido, mas desta vez eu queria ver melhor e, tal como eu imaginava, aquilo é muito bonito!

Trata-se de uma cidade fortificada encantadora, cheia de construções medievais, em que o antigo convive com o moderno sem quase a gente se dar conta da transição!

Fora da muralha, logo ali, pertinho da porta de Notre-Dame do séc. XIV fica a Eglis St Sulpice, um encanto de igreja, cheia de história, já que foi a primeira de Fougères.

Claro que ela não era assim no séc. XII, quando foi construída, nessa época era de madeira, mas posteriormente foi adquirindo características dos estilos em vigor, quando foi construída em pedra e à medida que foi sendo restaurada, arranjada ou reconstruida!

E as gárgulas sempre me fascinam, sobretudo quando estão tão visíveis como ali!

É muito mais espaçosa e luminosa por dentro do que parece por fora!

Em redor reina a paz, embora mais acima um pouco o trânsito seja quase infernal! Em frente à muralha as casinhas enfileiradas são lindas!

E quando o trânsito é infernal, com direito a obras com semáforos, há que aproveitar as perspetivas da paisagem sobre a cidade antiga e o Jardin du Val Nancon.

A Eglise de Saint Leonard, gótica.
Eu ia apenas passar, pois já lá tinha estado em 2011, mas um senhor de idade que tinha o carro estacionado na frente, fez questão de o retirar para que eu pudesse ver toda a fachada da igreja sem perturbações e depois veio falar comigo.

Estava visivelmente sensibilizado por eu estar ali a admirar a “sua” igreja. Estivemos no paleio um bom pedaço, enquanto ele me contava histórias de batalhas antigas e guerras mais recentes e de como a cidade foi massacrada e reconstruida depois dos bombardeamentos dos Aliados.

Perguntou-me se eu achava a “sua” igreja bonita, eu disse que sim, que ela é diferente do que eu estou habituada a ver, ele sorriu e depois eu tive de a visitar por dentro, enquanto o senhor se afastava para o seu carro, com o passo incerto mas firme. Perguntei-me se ele não teria mesmo estado naquela ultima guerra de que me falava….

E ela é bonita sim senhor, por fora e por dentro!

E desta vez meti a moto por todos os recantos que me apeteceu, nada de ficar num canto a imaginar como será o resto, sem coragem de caminhar ou de ir de moto!

É muito mais fácil assim, a gente pousa a moto um bocadinho, desmonta e vai ver, anda mais um pouco, volta a desmontar e volta a ir ver, até ter visto um pouco de tudo!

Acaba até por ser divertido!

Cheguei cedo a Cherbourg, é sempre assim, o receio de chegar tarde faz-me sempre chegar cedo demais! Fiz um picnic junto à Basilique de Sainte-Trinité, já que era o recanto mais calmo da cidade, que parece uma passagem permanente para um lado qualquer! Eu tinha de fazer horas para ir até ao porto!

E ali começou o meu stress…

Escrevia eu horas depois, no ferry durante uma noite que pareceu não ter fim:

“Há medos que têm a sua razão de ser, pelo menos comigo é sempre assim! É que por vezes esses medos realizam-se, são como os sonhos, tornam-se realidade!

Pois é, e eu tenho medo de embarcar a minha moto num ferry!
Não tenho medo de andar de barco, nem que a minha moto ande num, não, nada disso! O meu medo é de fazer as coisas erradas e não conseguir embarcar direito! Por isso, da última vez que visitei o Reino Unido não tive coragem de comprar o bilhete antecipadamente através de um site qualquer na internet! Então eu fui até Calais e lá comprei o dito bilhete!

Perguntou-me a menina porque não o comprei através da net pois seria muito mais barato… nem tive coragem de responder e paguei quase o dobro, por o estar a comprar na hora e na bilheteira!
E estou de novo a caminho do Reino Unido e da Irlanda e desta vez tratei de tudo antecipadamente através da net! Pois é, tão antecipadamente que marquei a passagem para o dia 1 de junho e não 1 de agosto!”

Foi a sensação mais estranha que eu podia experimentar, dizia a menina “não tem lugar no ferry porque a viagem foi marcada para 1 de junho!” e eu sem entender direito pergunto “E hoje é o quê? 31?” Na realidade eu nunca sei muito bem em que dia estou em viagem e não entendi logo que o problema não estava no dia e sim no mês!

Quando ela me repete “On est en août et «junho» veut dire «juin», n’est pas?” oh meu Deus, até ela entende melhor português do que eu, olhei para o que o seu dedo apontava no meu papel – 1 de junho! M E R D A !

O sistema deve ter assumido a data em que reservei a passagem e não a data em que eu queria passar. Lembro-me que esta foi a primeira reserva que fiz e fi-la muito cedo, pois dela dependia todo o desenho da viagem!

Muito simpática, ela nunca se mostrou stressada, rapidamente me arranjou uma nova passagem para aquele dia, mas 4 horas depois e sem lugar marcado. Paguei a taxa de transferência, mais a diferença do preço dos dois bilhetes (é mais caro viajar em agosto do que em junho) e sorrindo para mim desejou-me uma boa viagem aconselhando-me a gastar o tempo a passear pela zona para que não desse cabo dos nervos!

E fui passear mesmo! 4 horas é muito tempo para esperar!

Estava tão perto da zona de desembarque da batalha a Normandia, como da zona de embarque na minha Ninfa, por isso fui atras das placas até vários pontos de guerra.

Nesta viagem fartei-me de ver cemitérios de diversas épocas e comecei logo ali, com o cemitério alemão de Orglandes onde estão mais de 10.000 soldados enterrados…

Inicialmente os corpos dos milhares de alemães e americanos mortos na zona foram enterrados na pequena vila, mais tarde foram criados espaços próprios para cada povo, para que os seus os pudessem visitar e então surgiu este cemitério que só foi aberto ao público nos anos 60.

Uma visita feita de silêncio, entre o “peso” emocional do locar e a sua beleza sombria…

Um pouco mais à frente uma homenagem e um agradecimento aos libertadores do local…

Anda-se por ali por ruínhas tão bonitas quanto estreitinhas
Quando a rua é estreitinha, tem dois sentidos e ainda encontro um sinal daqueles na berma, pergunto-me como será a seguir se vier um carro ou um trator em sentido contrario?!

E veio mesmo, um jeep, daqueles bem grandões, que cruzou comigo mais à frente, passou por mim com duas rodas fora da estrada e ainda me cumprimentou! São sempre muito simpáticos com as motos (pelo menos comigo) eles sabem que a moto não pode sair do alcatrão por isso arrumam-se eles.

Depois de ruinhas destas podem-se encontrar cidades pitorescas logo a seguir. É apenas uma questão de escolher bem os caminhos!

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Depois de um cemitério fui visitar uma abadia, não está mal e depois seguramente uma igreja e por aí fora!

A abadia é espetacular e fresquinha! Havia gente a cantar lá dentro, o que tornou a visita encantadora!

Tem origem românica do séc. XI e hoje é também uma escola secundária e de ensino de adultos. Puxa, eu gostava de dar aulas numa escola assim!

E lá está, a seguir fui ver a igreja lá do sítio, pois é tão bonita!

É posterior à abadia, é do séc. XIII, é bem menor e tem outros encantos!

E para terminar, e deixar de lado cemitérios e igrejas… fui visitar a Betterie d’Azeville… pois, por ali parece que está tudo ligado à guerra mesmo!

Ali viveram muitos soldados alemães, mais ou menos em harmonia com a população. Hoje ainda há quem fale de como era o relacionamento da população com os tropas e de como as regras eram rígidas para que os tropas não abusassem das pessoas. Acho que havia algum cuidado para que nada “explodisse” entre ambas as partes durante a ocupação!

Construíram a bateria camuflada de zona habitacional, com galerias subterrâneas e postos de observação.

Ao longe aquilo pareciam casas típicas da zona

Mas na realidade eram casemates bem artilhadas…
Claro que o cenário não enganou para sempre e lá acabou por ser atingida pelo fogo aliado e ir boa parte pelos ares!

E lá fui eu, finalmente, para a fila para embarcar! Havia um espanhol por perto mas não me ligou nenhuma, claro que eu fiz o mesmo com ele.

Eu devia estar muito feia ou ameaçadora naquele dia, porque ninguém se aproximou de mim! Ninguém de moto, pelo menos!

Mas, a bem dizer, também não falaram muito uns com os outros! Deixei-os lá com as suas caras fechadas e fui embora. A população comum parecia-me mais simpática do que os motards!

Sentia-me miserável! Como iria fazer a viagem sozinha sem lugar? Abandonada num canto como os ciganos? Andei a ver o barco, sem saber onde me pôr! Não era nada daquilo que eu tinha planeado…

Acabei por me instalar num dos bares a beber cerveja. Outras pessoas se foram juntando e eu lá me fui sentindo mais “aconchegada”, talvez aquela gente não se fosse toda embora cedo e eu não ficasse ali abandonada!

E aquilo tudo começou a mover-se, estávamos a partir para 16 horas de oceano… o suplício!

(continua)

5. Passeando por caminhos Celtas – do Limousin até à Basse-Normandie.…

31 de julho de 2014

A Chambre d’ hotes Les Pradelles é encantadora! O proprietário é um senhor inglês muito simpático que me recebeu, da última vez que lá estive em 2012, muito amigavelmente. Naquele tempo eu voltava de um longa viagem e cheguei ali um pouco tarde. Na altura ficamos na conversa, enquanto ele me oferecia um chá com bolachas, porque era meia-noite e eu não podia ir para a cama sem comer algo!

Deu-me imensas indicações sobre o que eu poderia ver de interessante na zona, onde eu fiquei por 2 dias e, no fim da minha estadia, despediu-se de mim como se eu fosse amiga de longa data!

Desta vez eu só ficaria uma noite e seguiria para norte. Ele recebeu-me com um grande abraço e um jantar delicioso, acompanhado de bom vinho da região e tudo. Parecia que estava a chegar a casa de um grande amigo. Havia 2 casais, um francês e outro inglês, lá hospedados também e foi um serão e um pequeno-almoço de paleio em 2 línguas, muito interessante. O casal inglês era motard e ambos tinham moto, pude vê-las no dia seguinte na garagem, 2 shoppers.

Dizia a senhora que queria ser alta como eu para poder conduzir outro tipo de moto e, quando viu a minha Ninfa, ficou deslumbrada! Que moto fantástica!

E ainda dizem que os ingleses são altos, eles eram todos mais baixos do que eu, tanto ela, como os dois homens!

No dia seguinte despediram-se de mim, o dono da casa e a hospede motard, tirei-lhes uma ou duas fotos para a posteridade!

E eu, a portuguesa, é que era a mais alta ali! eheheh

Aquela zona é muito bonita! É daqueles sítios que eu vou gostar sempre de atravessar, com lagos e rio e castelos e tudo!

Eu nunca fico indiferente à calmia e serenidade das águas!

E naquele momento elas faziam perfeitos espelhos! Lindo!

Depois há lagos e floresta por todo o caminho!

Claro que fui parando e passeando um milhão de vezes!

Até começar verdadeiramente o meu caminho para norte! Havia uma série de pequenas cidades na linha que eu desenhara e que queria ver, não havia necessidade de correr por ali acima com tanta coisa interessante para alegrar o meu percurso!

Como vaquinhas a pastar nos campos! E eu gosto de as ver “dentro” dos campos, na rua é que me stressam um bocado… têm o rabo grande demais para a minha motita e podem pô-la ao chão!

E lá me aproximei de Corrèze.

Uma terrinha muito bonita e antiga, com direito a porta de entrada e tudo!

E, no largo logo a seguir, uma igreja muito bonita, de origem românica do séc. XII, embora com intervenções posteriores devido a reabilitações necessárias por causa das guerras ao longo dos tempos. O que faz com que ela tenha vestígios góticos também!

Muito bonito o ambiente, rodeado de casas medievais e renascentistas, lindas!

E claro, as janelas que me encantam sempre! Estou a ficar com uma coleção infinita de desenhos de janelas de todos os sítios onde vou e me encanto!

Mais à frente um bocado fica Uzerche, “a pérola do Limousin” nome que lhe faz tão boa justiça, porque é linda de todos os ângulos que a olhemos!

Fui recebida por uma porta de entrada, a Porte Bécharie, tão típica nas cidades medievais, e fiquei sem saber o que fazer! Estacionar cá fora e caminhar, como fazem os automobilistas, ou entrar por ali dentro, qual turista distraído e tentar parar a moto lá dentro?

Bem, que se lixe, estou em França, onde as motos podem ir para e por todo o lado e estacionar quase dentro dos monumentos, por isso certamente poderei estacionar lá dentro! E se não puder… saio pelo outro lado, depois de me ir enchendo de fotografias tiradas de cima da moto, e assim vejo se vale a pena caminhar depois por lá!

Tal como imaginava não houve qualquer problema em estacionar a moto na praça principal, mesmo em frente ao office de tourisme “Posso deixar a moto estacionada aqui fora à porta?” perguntei è menina, por um descargo de consciência “Claro! E boa visita!” respondeu ela descontraidamente! Eu bem dizia, moto é moto, não tem regras de carro naquele país! Yesss!

E lá ficou a Ninfa toda contente junto dos carros dos funcionários do posto de turismo!

E fui visitar a abadia Saint-Pierre, do séc. XI! Uma coisa fantástica com mais de 10 séculos!

A sensação de respeito é grande, quando estou na presença de monumentos tão antigos!

E nesta viagem eu iria estar na presença de monumentos bem mais antigos do que esta abadia espantosa!

A cripta mantem o aspeto original o que provoca um efeito especial…

E logo ali ao lado da abadia fica um miradouro que permite apreciar a envolvência da cidade com o rio Vézère a passar lá em baixo.

Adorei a cidade velha, fiquei por ali bastante tempo, fiz alguns desenhos e passeei com prazer. Há esculturas nas ruas e nos jardins da abadia e isso sempre torna os ambientes mais acolhedores e familiares para mim!

A perspetival entre a cidade antiga e a moderna é harmoniosa e a gente passa de uma para a outra sem choques!

Do outro lado do rio a percetiva da cidade é encantadora! Lá parei eu mais uma vez e fiz um desenhito mesmo em cima da moto, com o depósito a servir de mesa!

Finalmente segui o meu caminho, parando apenas um pouco em Bellac, com ruínhas e casas medievais giras,

e a sua igreja românica do séc. XII, a Igreja de Notre Dame de Bellac!

Depois fui até Saumur… que estava cheia de gente e de trânsito!

Não posso negar que adoro conduzir no meio do trânsito, sobretudo quando se pode “furar” pelo meio das filas de carros, como em França, mas só isso! Parar e andar no meio do povo é coisa que me cansa!

Depois, pensar em pagar bilhete para visitar o que quer que seja, e o castelo estava meio em obras, e andar no meio de milhões de turistas… é a parte que mais me desagrada!

Por isso desisti de visitar o castelo e optei por ir passear em torno da cidade e captar perspetivas do conjunto com o rio Loire a embeleza-lo!

Saumur é uma cidade cheia de história, antiga e moderna, de que se orgulha. Durante a Segunda Guerra foi considerada heroica e condecorada por ter resistido aos ataques alemães!

E o rio Loire é lindo de todos os ângulos!

Aproveitei a magnifica paisagem para comer qualquer coisa e relaxar… e tirar umas fotos a mim mesma, vá lá!

E lá me decidi a seguir o curso do Loire para depois ir até Daon…

Com direito a paisagens incríveis

O rio Loire é encantador, não só pelos castelos e cidades que povoam o seu vale, mas também nas suas zonas mais anonimas, onde vive gente simples que enriquece as suas margens com barquinhos e casinhas comuns, de gente comum! Só que por ali até o comum é extraordinário e belo, pela paz que se sente, pela serenidade que se transmite. Eu passava e parava a todo o momento, apenas para estar, apenas para contemplar!

Coisas bonitas que se encontram na beira da estrada por ali, como o Château de Montgeoffroy, em Mazé!

E cheguei a Daon! Eu não me tinha apercebido bem do sítio onde iria dormir, quando fiz a reserva! Apenas vi a casa, as opiniões de outros hospedes e pouco mais. Mas ao chegar lá encantei-me! Aquilo fica num paraíso à beira do rio, com direito a paisagem linda, movimento de férias e desporto e, no pátio do hostel, um bar com direito a pisaria e tudo!

Estava junto do rio La Mayenne que passa em duas regiões, o Pays de la Loire e a Basse-Normandie.

A minha ideia era ir ver o sítio onde iria dormir e ir dar uma volta de moto, mas a vontade foi-se e fiquei ali a curtir o ambiente!
Ao lado fica um parque de campismo e a seguir um parque de lazer, onde o povo se divertia com uma bolas gigantes com gente dentro, a rebolar na água. Fartei-me de rir e estive quase para embarcar numa bola também! Eheheh

E o sol pôs-se tão bonito, por entre risadas e copos de cerveja…

Com direito a passeio pelo relvado e histórias ditas em várias línguas com as pessoas dos barcos a oferecer taças de champanhe!

Lindo!

E foi o fim do 3º dia de viagem!