15. Marrocos 2012 – Passeando por Chefchaouen… a Medina azul!

7 de Abril de 2012

Depois de uma noite bem dormida toda a gente acordou bem disposta e com um sorriso aberto!

Para mim era um dos dias altos da viagem, aquele em que eu voltaria à Medina de Chefchaouen, que tanto me fascinara do ano passado!

Aquele hotelzinho/restaurante é muito simpático, já la ficamos no ano passado e fomos sempre muito bem tratados! A salinha de cima, tipo varanda, estava por nossa conta e nada nos faltou nunca!

O edifício mantem um aspeto de “por acabar” mas mostra já, em relação ao ano passado, melhorias e pormenores giros de decoração, como o balcão de receção ou as portadas exteriores em azul!

Este ano as motitas não ficaram dentro do hotel e sim numa garagem em construção ali ao lado!

O ambiente em construção combinava perfeitamente com a imundice em que elas estavam convertidas, depois da experiencia do dia anterior!

E preparamo-nos para ir até à Medina de moto, que isto de subir para caramba a pé e voltar, não tem muita piada, sobretudo quando a gente até já sabe o caminho!

A paisagem a partir do hotel só podia ser interessante, não tem muito mais casas para baixo dele!

É que a subida é íngreme até lá acima!

Não faltava espaço para estacionar as motitas, mesmo ali pertinho da entrada de baixo da Medina!

Logo do outro lado da rua ficava uma mesquita e o cemitério!

Não resisti em ir vê-lo mais de perto! Encontrei a porta lateral, que parecia afinal a principal, com um corredor de árvores até à mesquita. O cemitério ficava ali mesmo!

Eu sabia que, por lá, os cemitérios servem apenas para enterrar os mortos e que não há o hábito de pôr flores nem fazer “romarias” para os cemitérios. Apenas há uma lapide que marca a cabeceira e os pés, embora sejam sempre demasiado pequenas para indicarem os pés do/a falecido/a!

A Ângela lá andava meio a mancar por causa da pancada do dia anterior, quando caiu juntamente com o Tónica e a motita. Mas lá andava sem atrasar ninguém! É uma grande senhora!

Então fomos visitar a Medina que, curiosamente é azul, mas tem a porta ocre!

O chão parece uma carpete…

E voltei a entrar na Medina azul, aquela que me fascinará sempre, por muitas vezes que a visite!

Vai-se andando pelas ruínhas estreitinhas e irregulares, algumas com degraus e pedras que saem das paredes das casas, como se já lá estivessem e as casa tivessem sido construídas por cima! Mas tudo em azul!

Desta vez meti-me pelas ruínhas laterais, aquelas que nos levam à casa de cada um

e não só pelas ruas “principais” onde toda a gente passava

e voltava a encontrar os nossos parceiros de estrada

casalinhos amorosos, junto de portas deliciosas!

Oh as portas, ali são tantas tão bonitas que trouxe um coleção completa delas! Cada uma mais encantadora que a outra!

Algumas bem pequeninas! Eu iria ficar marreca se vivesse numa cidade daquelas, só para entrar e sair as portas o que eu me tinha de dobrar!

Que portas espantosas…

e ruinhas estreitinhas, que nos levam a outros patamares da Medina habitacional!

E chega-se à praça no centro da Medina e o espaço aberto e amplo faz querer voltar para o refúgio azul! Acho que aquela praça precisava de ser caiada de fresco de azul, está com um aspeto meio descuidado!

E o azul encantador continua!

Diz-se que aquela cor espantosa é usada para afastar os mosquitos…

Diz-se também que foram os judeus ali residentes que a começaram a usar em 1930, tornando-a característica e caracterizadora da cidade!

A verdade é que dá um ar fresco e limpo à Medina, tornando-a luminosa e encantadora, o que contrasta profundamente com outras como a de Fes, sombria e suja!

Diz-se também que aquele azul tem uma função parecida com os olhos azuis de vidro que se penduram em casa e afastam os maus espíritos! Quem sabe?

Depois de um larguinho há sempre um emaranhado de caminhos que passam por entre umas casa e por baixo de outras para nos levar a mais um recanto azul!

As zonas de comércio são igualmente acolhedoras!

Até chegarmos à grande praça Uta-El-Hammam, na zona alta da Medina, onde os cafés e restaurantes têm um ar colorido e acolhedor e as mesas têm toalhas!

E onde a gente dorme uma soneca à espera de meia dúzia de chás e sumos de laranja!

Tudo se passa naquela praça, onde até o Elísio se pôs a explicar como funcionava a sua camisa de ir às meninas! Puxa-se para os lados e aquilo abre tudo, automaticamente, sem perdas de tempo!

E esperamos, tanto que o sol acabou por abrir!

Já toda a gente sentia falta de um chapéu, o Carlos acabou por pôr o capacete!

Todo o movimento que não estava nas ruínhas estreitas estava um bocado por ali.

A mesquita e a kasbah dominam a praça. Ainda hei-de lá ir visitar aquilo por dentro!

As voltas que eu dei à praça até que os sumos e os chás chegassem!

Da porta da mesquita pode-se ver a Medina, de onde todas as ruas convergem para ali!

E as bebidas ainda não tinham vindo!

Não me importava de passar ali mais um dia!

Há personagens curiosas por ali

Muito curiosas!

e as bebidas sem chegarem!

(continua)

14. Marrocos 2012 – Uma luta sensual na lama com a minha Magnífica!

(ainda o dia 6 de Abril de 2012 – continuação)

Estava na hora de sair da Medina e voltar para as motos para seguir viagem! Ainda fui pondo o olho aqui e ali, ao passar numa das portas da Mesquita. Era uma das portas das mulheres!

Mais à frente uma escolinha de uma sala apenas, com um grupo de miúdos, aparentemente minúsculos demais, cantarolava uma cantilena tipo tabuada de antigamente! Cantavam a lição!

As mesquitas e as suas torres, são tantas naquela Medina!

A Medina das 15 mil ruas, das 150 mesquitas, das 500 mil pessoas…

Voltamos a sair por uma porta invisível, havia gente “estacionada” por todo o lado.

Pregamos nas motos e seguimos para a tarde mais louca desta viagem!

A Medina está por todo o lado, demos-lhe a volta por fora, por boa parte dos seus muitos quilómetros.

Fes ficou para trás, lá em baixo, como uma manta sem fim!

Olhando atentamente podia-se ver a Mesquita e os milhares de telhados numa manta espetacular!

E saímos da cidade e partimos para a nossa aventura!

As paisagens são verdes por ali acima, com pormenores espantosos.

As estradas e as curvas eram extraordinárias!

As casinhas por aquelas paragens são lindas. As paredes são brancas e os telhados de colmo coberto com argila, provavelmente para os tornar mais resistentes aos ventos e intempéries!

A paisagem continuava a mudar e a apresentar-se cheia de beleza!

Estava finalmente sol, a paisagem era linda, que mais faltaria num dia perfeito para viajar?

Então encontramos a primeira ponte que vi na minha vida, de terra batida e com buracos e poças de água!!

Chegamos a Karia Ba Mohamed, uma terrinha simpática onde pararíamos para recuperar energias!

Ora lá estava a carninha ao penduro, mesmo à mão de escolhermos o que comer!

Este assador não é um assador qualquer, como parece à primeira vista! Há ali um interruptor que faz com que se ligue a ventilação! Primitivo, primitivo, mas não necessita de abanico!

Custou um bocado convencer o homem que a costela mindinha da vitela se pode comer assada na brasa! Ficou meio incrédulo e, meio contragosto, lá a cortou e assou e a gente comeu de boa vontade! Só é pena eles passarem tanto a carne, se bem que ali é aconselhável que o façam, por uma questão de desinfeção!

Pelas carinhas larocas dá para entender que estava tudo contente!

E lá pegamos de novo nas motitas para seguirmos para aquela que seria uma luta sensual na lama mais as nossas montadas! E digo sensual porque tudo foi feito com muito carinho e cuidado!

Tudo começou pelos preliminares, de paisagens lindas e suaves, inspiradoras!

Estradas lindas ladeadas pelas belas paisagens!

Recantos surpreendentes de paraíso!

E então começou o caminho das manobras carinhosas, cuidadosas e deslizantes!

Cada pedaço de alcatrão ou terra batida lisa, era uma pequena versão de autoestrada espetacular!

Junto dos percursos de condução delicada e criativa!

Ainda não sei como consegui tirar a mão do volante e fazer algumas fotos!

A paisagem era muito interessante e, a cada vez que a gente parava, valia a pena olhar em volta!

Nesta altura já batizara a minha motita como Pan-Marrokian ST-A (A de adventure!)

Aqui já quase toda a gente tinha experimentado o banho de lama, a minha Magnífica teve o cuidado de se reclinar ligeiramente sem deixar que eu me sujasse! Muito delicada nesta luta na lama, por isso uma luta sensual!

O Elísio conseguiu sair ileso! Dançou, estrebuchou, mas não caiu! Grande e fiel amigo da sua Nº 2, já batizada e FJR-A (A de adventure também!) pois era uma das que se estragaria tristemente se tivesse ido ao chão. Grande Elísio!

Vimos carros e furgões deslizarem de lado em toda aquela lama! Porque não podíamos nós deslizar também?

Eu estava preocupada com o pneu da minha motita, mas a lama não parecia deixar que ele perdesse ar! E lá fomos seguindo!

O que vale é que eramos muitos e ajudávamo-nos uns aos outros… quanto mais não fosse com apoio moral!

E não conseguia evitar de por o olho à paisagem envolvente!

Enquanto a estrada melhorava consideravelmente até parecer uma estrada de luxo perto do que já se vira!

Oh pr’a eles a curtir a estrada todos contentes!

Então, quando a gente pensava que tinha chegado ao paraíso… a brincadeira recomeçou!

Aquela lama era tão fininha e escorregadia que as motos tendiam a andar de lado, mesmo quando a gente ficava parada! É no mínimo estranho sentir uma moto de 300 quilos deslizar de lado!

O João foi o herói da tarde! Aquele que apoiou cada luta de lama, cada par amoroso de moto/condutor! Grande João, se não fosses tu, acho que ainda andava por lá à espera que aquela lama secasse e se convertesse em terra!

Encontrei uma foto no meio das fotos do Luis de um dos momentos em que o João me apoiava na travessia do lodo “Ai que eu não consigo” era a única coisa que eu conseguia dizer ao sentir a Magnífica a rabear e a querer estender-se na lama “Não me abandones!” dizia eu para o João, pois tinha a certeza que e ele me deixasse naquele momento eu não seguraria mais a moto! Eheheh
Que episódio!

Então o Correia, que se tinha revelado um grande acrobata de duas rodas, com uma condução irrepreensível, escolheu a melhor poça de lama e, por sinal a ultima, para se estender mais a sua querida Ângela!

Não havia condições, os pés escorregavam, as motos deslizavam, fazíamos todos SS artísticos por ali e lá vinha o João segurar cada moto, como quem segura a traseira da bicicleta para ensinar as crianças a andar de bicla!

Grande João! Quando voltar a entusiasmar-me com uma luta sensual na lama com a minha Magnífica não me posso esquecer de te convidar, por via das dúvidas!

Neste momento os nativos da localidade a que chegávamos vieram em nosso socorro e aconselharam-nos a seguir outro caminho… pois seguir em frente não era bom caminho!

Sábio conselho e vindo na hora certa! A partir dali o caminho era lindo e muito bom, em comparação!

Oh que paraíso! O cascão de lama nos meus pés até começou a secar e a querer caír!

Até já apetecia e dava para brincar!

Paramos finalmente para avaliar a situação e limpar as unhas!

Quem diz limpar as unhas diz lavar a moto do Tonica e o Tonica!

Um dos senhores da estação de serviço sacou da escova e do balde com detergente e toca a esfregar o lodo da metade mais criativa do Tonica, aquela que fizera o banho de beleza na argila!

Carros para lavar? Esperam na fila que isto agora está ocupado!

Eu acho que toda a gente tinha vontade de fazer companhia ao Correia, mas faltou a coragem de arriscar a testar fatos de chuva!

E chegamos ao nosso refúgio daquela noite, onde fomos recebidos com conforto e simpatia!

As minhas botas estavam lindas e eu não tinha outras para calçar!

Havia bolinhos e chá de menta para todos… menos para mim, que não gosto nem de uma coisa, nem de outra!

Foram-nos servidas tajines deliciosas e quentinhas, que isto de andar a rolar e a rebolar na lama faz uma fome danada!

O que eu gosto daquela comidinha! Acho que vou ter saudades!

E nem faltou o vinhinho de Portugal, que alguém deixará lá no restaurante e que o senhor muito gentilmente nos ofereceu!

Ui, e pude tirar a duvida e concluir que tajine acompanhada de um bom vinhinho é mesmo a delicia perfeita!

Depois foi o fim de mais um dia, com direito a lavagem de botas no lavatório e a uma noite muito bem dormida, depois de um longo dia!

E foi o fim do 8º dia de viagem

13. Marrocos 2012 – Ainda a Medina de Fes!

(6 de Abril de 2012 – continuação)

Depois dos tapetes voltamos ao mundo real da Medina, para irmos ver (queria eu) a mesquita Kairaouine (ou Quaraouiyine), porque apenas os muçulmanos lá podem entrar, e as mulheres por porta diferente da dos homens!

A Mesquita deve o seu nome à cidade de Kairouan, na Tunisia, devido aos muitos emigrantes dessas paragens na zona, na época da sua fundação.

A mesquita ocupa uma grande área da Medina, pudemos passar por varias das suas 14 portas,

A Mosquee Quaraouiyine, receberia naquele dia 20,000 homens e 2,000 mulheres, pois era dia de festa. Eu queria ver aquilo por dentro e um senhor ofereceu-se para me fazer 2 ou 3 fotografias do pátio interior! Programei a minha máquina e dei-lha para a mão e valeu a pena! Aquilo é lindo!

O senhor andou tão contente a tirar fotos para mim e ainda nos tirou uma foto a todos!

Depois iriamos visitar os tecelões, a Medina está organizada por áreas de trabalho e ali eram a sedas!

Ui as portas, que giras! 😀

E lá encontramos numa loja de lenços, tecidos e adereços em seda, os teares.

E o tecelão sorridente!

Mais à frente eram os latões

As ruelas são estreitas mas ainda dá para passar de motinha!

E depois a farmácia

Cheia de certificados e recortes de revista emoldurados.

Havia muita tralha para cuidar dos cabelos, do rosto, da pele… elas tapam-se, tapam-se mas é cá fora, porque dentro de casa fazem uso àquelas tretas todas!

O óleo d’Argan está por todo o lado, fabricado a partir da noz da árvore de Argan que apenas existe em Marrocos, por isso chamam ao óleo o ouro de Marrocos.

Os meus amigos estavam muito concentrados nas explicações e exemplificações do “farmacêutico” de serviço!

Mais à frente encontramos o “motor” da caldeira para os banhos de Hamman.

Hamman na realidade quer dizer mesmo “banho” e em Marrocos são banhos relaxantes e purificantes, da pele e dos músculos. Uma variedade do banho turco.

Ali no fundo ficava a caldeira de um desses banhos, (há muitos na Medina). O homem está ali, continuamente a acrescentar serrim de madeira de cedro, para avivar a chama e aquecer a água. De cima vai recebendo pancadas na parede ou no chão, em linguagem que lembra o código morse, e que lhe vai dizendo se é para aquecer mais ou deixar arrefecer um pouco.

O homem é substituído de 3 em 3 horas… antes que morra de calor e sufocado pelo pó do serrim, digo eu!

Os salões de cabeleireiro são inspiradores

E mais portas

E caminhos estreitinhos

Recantos e escadinhas

Para chegar ao fabrico das peças em estanho e cobre

Esta foi das poucas lojas que visitamos que não vendia coisas velhas, cheias de pó e com aspeto de terem sido achadas no lixo!

Bem, mas ali a gente pode ver que não se fabricavam coisas velhas, como em muitos recantos do país! Ali se podia ver como todas aquelas coisas são fabricadas, melhor, manufaturadas!

Aquilo é desenhado martelada a martelada sobre o metal, com goivas finas e delicadas!

Fascinei-me com o candeeiro no teto, eu e a Paula, ficamos encantadas por todos os candeeiros!

E voltamos à Medina pois então, onde os táxis são burros e cavalos.

Onde há lojas de grande e pequena tecnologia

E chegamos ao Mausolee Moulay Idriss, no centro da Medina de Fes não pode ser visitado por nós… uma pena não poder passar da porta! É o Túmulo de Moulay Idriss II que fundou a cidade de Fes no sec IX pela segunda vez! Quase cinco séculos depois da sua morte foi encontrado ali um corpo intacto que se julga ser dele! Ele é o santo padroeiro da cidade e acredita-se que dá sorte ir ao seu Mausoléu dá sorte aos estrageiros, por isso é normal encontra-los a por a mão em determinados pontos da cerca da construção que, por estes dias anda em restauro profundo! Eu queria era vê-lo por dentro…

(continua)

12. Marrocos 2012 – A Medina de Fes

6 de Abril de 2012

As nossas motitas dormiram em cima do passeio em frente ao hotel, com um guadião a tomar conta delas. Escusado será dizer que de dia haveria outro guardião a pedir mais uns dirhams por as guardar durante o dia! Naquele país a gente paga por tudo e para tudo!

Até para estacionar em cima do passeio nos pedem dinheiro!

As motos ficariam ali estacionadas durante a manhã, enquanto iriamos de carro até à Medina.

Passamos pelo Palácio Real, passamos sempre pois eles têm muito orgulho nele e, quando apanhamos um meio de transporte para ir a qualquer lado ali, levam-nos sempre às portas do palácio! Ainda o hei-de visitar por dentro!

Aquelas portas se fossem cá, já tinham sido roubadas pelo bronze!

E lá fomos visitar a Medina mais antiga do pais!
Não entramos pela porta grande, acho mesmo que entramos pela porta do cavalo!

As ruelas são estreitas e os transportes são feitos com burros, os maiores, ou asnos, os mais pequenitos. Sim por ali também circulam algumas mobiletes e pequenas scooters, mas nada como em Marrakech!

A Medina de Fes foi fundada no sec IX, o que faz uma quantidade de seculos! Há uma série de estatísticas sobre ela, sobre quantas ruas, quantas mesquitas e por aí fora…

A mim bastou-me o que vi! Descobri que lá há livros sobre o país em Português, coisa quase impossível de encontrar em Espanha, por exemplo, e a mais é o nosso país irmão!

Descobri que ali também se come caracóis, pelo menos há quem os arranje no meio da praça publica na Medina!

Pelo aspeto ranhoso que tinham acho que não seria capaz de os comer por muito bem cozinhados que fossem…

As portas decoradas e recortadas têm frequentemente um pau que une os dois lado, pouco acima do meio, o que quer dizer que se alguém vier a correr distraído, dará ali uma cambalhota monumental, pois vai-lhe bater com a testa!

A Medina de Fes não teve em mim o efeito que teve a de Marrakech… eu sei que muita coisa estava fechada por ser sexta-feira e porque tudo abre meio tarde naquele país, mas mesmo assim…
Havia ali uma desolação que não senti na outra, um abandono quase antipático…

Entrando por uma portinha insignificante, pelo meio de lojas de peles e subindo sempre…

O cheio forte recebia-nos e facilmente percebemos onde estávamos a chegar. Lá em cima, do terraço da loja, pudemos ver a Tannerie

“Nas Tanneries de Fes curte-se o couro de forma tradicional utilizando urina de gado e fezes de pomba. Ali se vive envolto num cheiro nauseabundo, trabalha-se com as mãos e pés nus, nos líquidos e tintos, e produzem-se os mais belos couros que se possa imaginar. Curiosamente estudos revelam que aqueles homens vivem uma vida saudável Estivemos lá apenas há 3 dias e o tempo de chuva que se vinha sentindo deve ter sido nosso amigo e o cheiro nem era muito forte! Imagino como seria se estivesse sol e calor!”

Acho que tivemos sorte por ter chovido naqueles dias, senão o cheiro teria sido bem mais nauseabundo, se estivesse sol, se estivesse calor…

Por outro lado não tivemos tanta sorte com a cor das curtições que estavam a fazer, só havia duas ou três cores!

Quem inventou de chamar curtir a dar um beijos ou apreciar musica, não faz ideia do cheiro que tem a curtição!

Estávamos lá pelo meio da Medina e podia-se ver por cima dos muros o “mundo lá fora” e imaginar o que seria viver perto daquele cheiro! Eu sei que numa Medina eles distinguem a zona habitacional da zona comercial, mas o cheiro não será capaz de o fazer!

Descemos dali pelo interior da loja, que é o único acesso. Tudo bem que o cheiro não era muito forte, mas era horrível na mesma!

Os gatos são habitantes bem-vindos na Medina, impedem que ela fique infestada de ratos!

No entanto os cães não são muito numerosos, porque devem afastar os gatos, digo eu! São animais impuros, em casa onde há cão não se pode rezar!

Há ruelas tão estreitas por ali que as mais fininhas chegam a ter apenas 50 cm! Coitado de quem é gordo!

Aquilo é mesmo labiríntico, mas continuo a achar que o nosso guia não nos mostrou o melhor!

As portas sempre me encantam, velhas mas decoradas e recortadas!

Depois da zona dos curtumes seguíamos pela Medina meio desértica

com recantos curiosos

Fes tem uma belíssima coleção de palácios catalogados com interesse histórico

Seguramente não fomos visitar os mais bonitos e os que vimos da porta mas não podíamos visitar é que eu queria ver!

A confusão de uma Medina pode por uma pessoa louca, mas o silêncio e o vazio também é triste!

Então encontramos uma tinturaria artesanal como eu nunca vira na vida! Fiquei impressionada com o que se pode fazer num espaço tão exíguo!

Os alunos estavam mesmo interessados, talvez inspirados pelo Rui, um especialista na matéria!

Mais à frente, no meio da imundice, uma fonte no chão!

O ar de espanto do João a olhar para a água e a comentar como era possível no meio daquilo tudo a agua ser tão transparente! Presumo que eles terão nascentes de água límpida, digo eu!

Um velhinho e o seu burro proporcionaram-me uma das fotografias mais interessantes desta visita!

Aquela era a zona dos tintos e dos tingimentos.

Então chegamos a um espaço arejado, depois de tanto aperto nas ruínhas e ruelas da Medina. De repente o espaço aberto parecia uma grande praça!

E é nesta praça que fica a universidade mais antiga do mundo árabe, a universidade Kairaouine.

A escadaria azul da Biblioteca Kairaouine, que apenas os muçulmanos podem subir! Uma chatice, o que eu queria mesmo era ir ver!

Depois vieram os tapetes. Graças a Deus lojas a gente pode visitar todas…

Mas esta loja eu gostei de visitar!

Ali havia uma infinidade de belíssimos tapetes de lã que custam uma fortuna. “Os tapetes marroquinos são uma arte ancestral que vem desde o seculo XIII e desde sempre até hoje, continuam a ser carregados de significado para qualquer nível de sociedade.”

São frequentemente oferecidos como dote ou grande prenda e usados em tudo e em todo o lado!

E do topo da loja pudemos ver a Medina!

Vimos a mesquita Kairaouine aos nossos pés!

E o mar de antenas parabólicas bem democraticamente distribuídas em todos os telhados!

(continua)

11. Marrocos 2012 – Encontro de amigos a caminho de Fes!

(5 de Abril de 2012 – continuação)

Paramos para abastecer, nem sei bem onde! Algures a caminho de Ifrane, isso tenho a certeza! Não sei se as motos vinham assim tão sedentas, mas a verdade é que a gasosa não chegou para a motita do Elísio, a sua Nº2! Já dizia a minha avó que cada qual tem a sorte que merece !eheheh

Então, de repente, vinda não se sabe bem de onde, surge gente conhecida! Como é possível que, num país quase quatro vezes maior que o nosso, sem combinar nada e a fazer percursos opostos, as pessoas se encontrem?

A princípio ainda pensamos que era mais um desgraçado que iria ficar sem gasolina, mas depois constatamos que era o Legasea e a sua senhora (o Leonel e a Paula do M&D).

A gente até podia ter estado com eles em qualquer lado, mas encontra-los em Marrocos foi a coisa mais gira que podia acontecer! Como uma ligação ao que tínhamos deixado em Portugal!

Gente boa é sempre giro encontrar, seja em que ponto do planeta for! Fizemos uma festa!

E como festa que se prese tem de ter comes e bebes, fomos abancar numa tasca de beira de estrada e comer todos juntos!

Estava frio e as meninas foram aquecer as mãos no assador… ups… oh Elísio, motard que é motard não tem frio! Eheheh

Era giro ver o nosso grupo de motos receber tão bem uma moto amiga no seu meio!

Almoçamos um franguinho assado que eu gostei! Eu sei que as pessoas normais preferem frango de churrasco, mas eu prefiro-o assado nas máquinas! Por isso para mim estava bom e as batatas fritas também, pois não eram aquela bosta das batatas pré-fritas que eu detesto!

O nosso amigo Legasea apresentou-nos uma garrafinha de água divinal, que nos desinfetou a canalização, desde a boca até ao fundo do estomago! Reminiscências de Portugal! E depois foi a despedida, com muitos beijos e abraços e desejos de boa viagem para uns e para outros…

E seguimos, com a promessa de encontrar neve mais à frente pois tinha nevado na noite anterior também em Ifrane!

E lá a fomos encontrar, não era muita mas tinha-se aguentado todo o dia, por isso estava frio e por isso não nevara assim tão pouco!

Aparecia ali, ao lado da estrada, mesmo com o sol aberto, e aguentava-se!

Tal como a montanha a neve sempre me fascina! Tenho sempre vontade de a fotografar, de caminhar até ela…

Por isso lá voltei a parar aqui, e ali, e acolá…

Até chegarmos a Ifrane, a cidade alpina de Marrocos!

Uma cidade fundada por franceses e que se mantem com aquele ar limpinho e arrumadinho de coisa europeia, que até destoa de muito do que vimos em outras cidades marroquinas!

Não é por acaso que tem o cognome de “Pequena Suíça”, é que fica a 1700m de altitude, tem neve para caramba todo o inverno e é uma estância de ski!

E seguimos para Fes, com o Luis meio stressado pois a sua motita começara a queixar-se de falta de pressão no pneu de trás! Bolas, pelos vistos era coisa do diabo, todo o pneu queria furar de repente?

E era furado mesmo! Como era tarde para ir visitar a Medida era o momento certo para ir arranjar o furo da TDM, pois então.

Ao lado da oficina (tipo buteco) de arranjar pneus puseram-se todos a tomar copos de leite com café, como meninos bonitos! Eheheh

A verdade é que é curioso, como dizia o João, olhar para dentro dos cafés e ver imensos homens com os seus copos de leite ou café com leite à frente!

Em frente ficava uma fonte que mais parecia uma sucata! Que coisa impressionante de feia, velha e estragada! Era uma fonte de terracota toda partida!

Passeamos um pouco por ali, uma grande cidade cheia de coisa de pequena aldeia marroquina! Com lojinhas de tudo e gente que vende à porta o mesmo que se vende lá dentro sem que ninguém se importe!

E também quem venda dentro da loja o que se produz cá fora! Como as diversas casas de ovos que têm as galinhas poedeiras à porta! Ovos mais frescos não há!

E o nosso hotel! Como quase todos os que conheci até hoje em Marrocos, a entrada e receção não são representativas do que é o resto da casa, mas é sempre bonito catar o que tem de bonito!

Assim como a sala de jantar não ilustra os pitéus que lá se servem! (a considerar pelo parco pequeno almoço servido no dia seguinte)

Mas os requintes decorativos estão lá e é muito giro explora-los!

Naquela noite voltamos a jantar frango assado na máquina, voltamos a conversar até às tantas, a ouvir as máximas do Elísio, as grandes aprendizagens do João, as piadas do Rui e as interrupções do Luis e as risadas de toda a gente…

Fim do 7º dia de viagem!